O mês em que o Natal parou as entregas
Dados anonimizados de mais de 50 milhões de entregas processadas pelo Entregas Expressas.
Em dezembro de 2025, a corrida típica de entrega rápida custou R$ 8,35, dos quais o entregador ficou com R$ 6,99 — cerca de 86% do valor de cada viagem. Mas o que define dezembro é o calendário: no dia 25, o volume de entregas despencou para menos de um terço de um dia comum. Todos os números mostram o valor típico do mercado, sobre centenas de milhares de entregas no país.
metade custou entre R$ 7,09 e R$ 10,69
metade entre R$ 2,19 e R$ 5,33 por km
por corrida concluída
da coleta ao destino
O Natal esvaziou as ruas
Dezembro tem um ritmo próprio, ditado pelo calendário. Tomando um dia comum do mês como referência (100), a véspera de Natal já desacelera — 24/12 caiu para 69 — e no dia 25 o volume despenca para 31: menos de um terço de um dia normal. A virada do ano repete o roteiro: 31/12 cai para 60. No sentido oposto, os dias mais movimentados foram o 5 e o 6 de dezembro (índices 130 e 127), provavelmente puxados pelo pagamento e pelo primeiro fim de semana de compras de fim de ano.
Cada barra é a variação do volume daquele dia em relação a um dia comum (linha do meio = 0). Barras para cima = mais movimento; para baixo = menos. Natal (24–25) e véspera de Ano Novo (31) em laranja.
O quilômetro mais caro é o primeiro
O preço por faixa de distância revela o custo de largada da última milha. Uma corrida de até 2 km custou tipicamente R$ 7,36 — cerca de R$ 7,36 por km. Já uma acima de 10 km saiu por R$ 19,85, ou aproximadamente R$ 1,42 por km. O primeiro quilômetro é mais de 5× mais caro que o décimo: é o preço fixo de tirar um entregador da base.
≈ R$ 7,36/km · 40% das corridas
≈ R$ 2,47/km · 41% das corridas
≈ R$ 1,56/km · 15% das corridas
≈ R$ 1,42/km · 5% das corridas
O mapa de preços do Brasil
Índice de preço da corrida por macrorregião, com 100 = valor típico do país (R$ 8,35). Cada estado é colorido pela sua região: quanto mais azul, mais cara a corrida frente à média nacional. O Sudeste e o Nordeste ficam acima da média; o Centro-Oeste tem as corridas mais baratas e rápidas, reflexo de distâncias menores.
| Macrorregião | Preço típico | vs. país | R$/km |
|---|---|---|---|
| Sudeste | R$ 8,68 | +4% | R$ 3,32 |
| Sul | R$ 8,48 | ≈ média | R$ 3,11 |
| Centro-Oeste | R$ 7,00 | -16% | R$ 3,47 |
| Nordeste | R$ 8,71 | +4% | R$ 2,91 |
| Norte | R$ 7,57 | -9% | R$ 3,86 |
As cinco entregas do Brasil
Agregadas por macrorregião, as diferenças ficam nítidas. O Centro-Oeste e o Norte têm as entregas mais rápidas (índices 68 e 61 vs. o país), por causa de distâncias típicas menores. O Sudeste tende a puxar o preço para cima, enquanto o Centro-Oeste registra as corridas mais baratas. Cada região tem sua própria dinâmica de preço, ganho do entregador e divisão do valor.
| Macrorregião | Preço típico | vs. país | R$/km | Ganho entreg. | Fatia empresa | Entrega | Concluídas |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Sudeste | R$ 8,68 | +4% | R$ 3,32 | R$ 7,41 | 15% | 11,7 min | 91,5% |
| Sul | R$ 8,48 | ≈ média | R$ 3,11 | R$ 6,69 | 23% | 10,9 min | 96,0% |
| Centro-Oeste | R$ 7,00 | -16% | R$ 3,47 | R$ 6,49 | 4% | 7,3 min | 95,5% |
| Nordeste | R$ 8,71 | +4% | R$ 2,91 | R$ 7,31 | 15% | 11,2 min | 91,4% |
| Norte | R$ 7,57 | -9% | R$ 3,86 | R$ 7,30 | 3% | 6,5 min | 94,5% |
Fatia empresa = quanto, de cada corrida, fica com a empresa de entregas que organiza a operação (o restante vai para o entregador). Entrega = tempo típico da coleta ao destino. Índice 100 = valor típico do país.
Para onde vai o valor de cada corrida
De cada corrida paga, a maior parte vai direto para o entregador. No caso típico, ele fica com cerca de 86% do valor; os outros 14% ficam com a empresa de entregas que organiza a operação — cobre plataforma, suporte, gestão da frota e a margem do negócio dela.
Onde o entregador realmente fatura
Existe um mito de “hora de ouro”: madrugada e início da manhã pagam mais por corrida. É verdade — mas não adianta uma corrida render R$ 15 às 6h se quase ninguém pede nesse horário. O que de fato enche o bolso é onde ganho por corrida e volume de pedidos se encontram. As duas barras abaixo mostram isso lado a lado: a azul é quanto se ganha por corrida; a clara, quanta gente pede naquela hora.
Quando o Brasil pede
A demanda se concentra à noite. A hora de pico — 20h — concentra 10,8% dos pedidos do dia, mais que o dobro da hora média. O mapa de calor abaixo cruza dia × hora: o ponto mais quente do mês foi o sábado às 20h.
Cada célula é a fatia daquele dia × hora no volume mensal. As madrugadas concentram naturalmente pouquíssimos pedidos.
A anatomia de uma entrega rápida
A entrega típica levou 10,7 minutos da coleta ao destino, percorrendo 2,53 km a uma velocidade média de 13,0 km/h (trânsito urbano, com paradas). Há uma cauda longa: as 10% mais demoradas passaram de 38 min. O aceite é quase instantâneo — tipicamente 1,6 min entre o pedido entrar e um entregador assumir.
Valores típicos sobre entregas concluídas. Distância típica: 2,53 km; 9 em cada 10 entregas até 7,14 km.
A entrega rápida anda sobre duas rodas
A moto é o motor da última milha brasileira: 96,1% das entregas concluídas em dezembro. A bicicleta aparece com 3,8% — modesta, mas é o indicador a acompanhar como termômetro da mobilidade ativa. Carro e utilitários somados não chegam a 0,2%.
Metodologia
Dados agregados e anonimizados a partir das operações de empresas de entregas rápidas de todo o Brasil. Esta edição consolida centenas de milhares de entregas realizadas em dezembro de 2025.
Trabalhamos com o valor típico de cada indicador — aquele que fica no meio do mercado, com metade das corridas abaixo e metade acima. É mais justo que a “média”, porque não se distorce por alguns valores muito altos ou baixos. As comparações por região usam o valor típico do país como referência (100): um índice 120 significa 20% acima da média nacional; 85, 15% abaixo.
Os indicadores descrevem o comportamento do mercado, nunca operações ou clientes individuais. A granularidade geográfica máxima é a macrorregião e o estado — nunca cidade ou empresa específica. Período de referência: 1 a 31 de dezembro de 2025.