O Carnaval esfriou o meio do mês — e a virada esquentou tudo
Dados anonimizados de mais de 50 milhões de entregas processadas pelo Entregas Expressas.
Em fevereiro de 2026, a corrida típica de entrega rápida custou R$ 8,59, dos quais o entregador ficou com R$ 7,31 — cerca de 86% do valor de cada viagem. O ritmo do mês foi ditado pelo calendário: o Carnaval (14 a 17) esvaziou o meio do mês, com a cidade na rua e o comércio fechado, enquanto a reta final — puxada por pagamento e fins de semana — foi o período mais movimentado. Todos os números mostram o valor típico do mercado, sobre centenas de milhares de entregas no país.
metade custou entre R$ 7,23 e R$ 11,15
metade entre R$ 2,21 e R$ 5,35 por km
por corrida concluída
da coleta ao destino
O Carnaval no meio, a virada na ponta
O mês tem um ritmo próprio, ditado pelo calendário. Tomando um dia comum como referência (100), o Carnaval derrubou o meio de fevereiro: o domingo de folia (dia 15, índice 85), a segunda (dia 16, 92) e a terça (dia 17, 94) ficaram todos abaixo de um dia normal — gente na rua, não no aplicativo. O dia mais fraco do mês, porém, foi o dia 2 (índice 79). A virada veio na reta final: a sexta dia 27 (índice 127) e o sábado dia 28 (125) fecharam o mês no auge, junto do dia 7 (125) — puxados por pagamento e fins de semana.
Cada barra é a variação do volume daquele dia em relação a um dia comum (linha do meio = 0). Para cima = mais movimento; para baixo = menos. Os dias de Carnaval (14 a 17) estão em laranja.
O quilômetro mais caro é o primeiro
O preço por faixa de distância revela o custo de largada da última milha. Uma corrida de até 2 km custou tipicamente R$ 7,55 — cerca de R$ 7,55 por km. Já uma acima de 10 km saiu por R$ 20,20, ou aproximadamente R$ 1,44 por km. O primeiro quilômetro é mais de 5× mais caro que o décimo: é o preço fixo de tirar um entregador da base.
≈ R$ 7,55/km · 39% das corridas
≈ R$ 2,52/km · 41% das corridas
≈ R$ 1,60/km · 15% das corridas
≈ R$ 1,44/km · 5% das corridas
O mapa de preços do Brasil
Índice de preço da corrida por macrorregião, com 100 = valor típico do país (R$ 8,59). Cada estado é colorido pela sua região: quanto mais azul, mais cara a corrida frente à média nacional. O Sudeste e o Nordeste puxam o preço para cima; o Centro-Oeste tem as corridas mais baratas e rápidas. Curiosidade: o Norte, apesar de barato no total, tem o maior R$/km do país (índice 119) — porque suas corridas são curtas, e o quilômetro curto é sempre o mais caro.
| Macrorregião | Preço típico | vs. país | R$/km |
|---|---|---|---|
| Sudeste | R$ 8,83 | +3% | R$ 3,26 |
| Sul | R$ 8,81 | +3% | R$ 3,23 |
| Centro-Oeste | R$ 7,23 | -16% | R$ 3,48 |
| Nordeste | R$ 8,87 | +3% | R$ 3,10 |
| Norte | R$ 7,59 | -12% | R$ 3,93 |
As cinco entregas do Brasil
Agregadas por macrorregião, as diferenças ficam nítidas. O Norte e o Centro-Oeste têm as entregas mais rápidas (índices 53 e 70 vs. o país), por causa de distâncias típicas menores. O Sudeste e o Nordeste tendem a puxar o preço para cima. Cada região tem sua própria dinâmica de preço, ganho do entregador e divisão do valor.
| Macrorregião | Preço típico | vs. país | R$/km | Ganho entreg. | Fatia empresa | Entrega | Concluídas |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Sudeste | R$ 8,83 | +3% | R$ 3,26 | R$ 7,58 | 15% | 11,3 min | 93,2% |
| Sul | R$ 8,81 | +3% | R$ 3,23 | R$ 6,93 | 21% | 11,3 min | 96,5% |
| Centro-Oeste | R$ 7,23 | -16% | R$ 3,48 | R$ 6,63 | 11% | 7,4 min | 96,5% |
| Nordeste | R$ 8,87 | +3% | R$ 3,10 | R$ 7,62 | 15% | 11,5 min | 92,8% |
| Norte | R$ 7,59 | -12% | R$ 3,93 | R$ 7,33 | 3% | 5,6 min | 92,5% |
Fatia empresa = quanto, de cada corrida, fica com a empresa de entregas que organiza a operação (o restante vai para o entregador). Entrega = tempo típico da coleta ao destino. Índice 100 = valor típico do país.
Para onde vai o valor de cada corrida
De cada corrida paga, a maior parte vai direto para o entregador. No caso típico, ele fica com cerca de 86% do valor; os outros 14% ficam com a empresa de entregas que organiza a operação — cobre plataforma, suporte, gestão da frota e a margem do negócio dela.
Onde o entregador realmente fatura
Existe um mito de “hora de ouro”: madrugada e início da manhã pagam mais por corrida. É verdade — mas não adianta uma corrida render R$ 13 às 6h se quase ninguém pede nesse horário. O que de fato enche o bolso é onde ganho por corrida e volume de pedidos se encontram. As duas barras abaixo mostram isso lado a lado: a azul é quanto se ganha por corrida; a clara, quanta gente pede naquela hora.
Quando o Brasil pede
A demanda se concentra à noite, e a sexta-feira é o dia mais movimentado da semana. A hora de pico — 20h — concentra 11,6% dos pedidos do dia, quase o triplo da hora média. O mapa de calor abaixo cruza dia × hora: o ponto mais quente do mês foi a sexta às 20h.
Cada célula é a fatia daquele dia × hora no volume mensal. As madrugadas concentram naturalmente pouquíssimos pedidos.
A anatomia de uma entrega de 10 minutos
A entrega típica levou 10,6 minutos da coleta ao destino, percorrendo 2,58 km a uma velocidade média de 13,7 km/h (trânsito urbano, com paradas). Há uma cauda longa: as 10% mais demoradas passaram de 36 min. O aceite é quase instantâneo — tipicamente 1,6 min entre o pedido entrar e um entregador assumir, sinal de um mercado com bastante entregador disponível neste período.
Valores típicos sobre entregas concluídas. Distância típica: 2,58 km; 9 em cada 10 entregas até 7,25 km.
A entrega rápida anda sobre duas rodas
A moto é o motor da última milha brasileira: 96,6% das entregas concluídas em fevereiro. A bicicleta aparece com 3,2% — modesta, mas é o indicador a acompanhar como termômetro da mobilidade ativa. Carro e utilitários somados não chegam a 0,2%.
Metodologia
Dados agregados e anonimizados a partir das operações de empresas de entregas rápidas de todo o Brasil. Esta edição consolida centenas de milhares de entregas realizadas em fevereiro de 2026.
Trabalhamos com o valor típico de cada indicador — aquele que fica no meio do mercado, com metade das corridas abaixo e metade acima. É mais justo que a “média”, porque não se distorce por alguns valores muito altos ou baixos. As comparações por região usam o valor típico do país como referência (100): um índice 120 significa 20% acima da média nacional; 85, 15% abaixo.
Os indicadores descrevem o comportamento do mercado, nunca operações ou clientes individuais. A granularidade geográfica máxima é a macrorregião e o estado — nunca cidade ou empresa específica. Período de referência: 1 a 28 de fevereiro de 2026.