Um mês partido por dois feriados
Dados anonimizados de mais de 50 milhões de entregas processadas pelo Entregas Expressas.
Em abril de 2026, a corrida típica de entrega rápida custou R$ 8,73, dos quais o entregador ficou com R$ 7,31 — cerca de 86% do valor de cada viagem. Quem ditou o ritmo do mês foi o calendário: a Páscoa e o Tiradentes rachuram o mês em dois, com a véspera do feriadão da Sexta-Santa figurando entre os dias mais quentes — e os domingos esvaziados puxando o pé do freio. Todos os números mostram o valor típico do mercado, sobre centenas de milhares de entregas no país.
metade custou entre R$ 7,28 e R$ 11,27
metade entre R$ 2,25 e R$ 5,37 por km
por corrida concluída
da coleta ao destino
O calendário mandou no mês
O mês tem um ritmo próprio, ditado pelo calendário. Tomando um dia comum como referência (100), a quinta-feira dia 2 foi um dos dias mais quentes do mês (índice 119,9) — o corre-corre da véspera do feriadão da Sexta-Santa, quando todo mundo abastece a casa antes da emenda. Logo depois, o domingo de Páscoa (dia 5, índice 88,2) e a segunda (dia 6, 81) esfriaram a operação. O ponto mais baixo veio no dia 13 (uma segunda, índice 79). A reta final voltou a acelerar com força — o dia 30 (≈ 119,8) e o dia 25 (≈ 118,2) entre os mais movimentados. O Tiradentes caiu na terça dia 21, num intervalo de ritmo mais ameno.
Cada barra é a variação do volume daquele dia em relação a um dia comum (linha do meio = 0). Para cima = mais movimento; para baixo = menos. O fim de semana de Páscoa — Sexta-Santa (3), sábado (4) e domingo (5) — está em laranja.
O quilômetro mais caro é o primeiro
O preço por faixa de distância revela o custo de largada da última milha. Uma corrida de até 2 km custou tipicamente R$ 7,61 — cerca de R$ 7,61 por km. Já uma acima de 10 km saiu por R$ 20,49, ou aproximadamente R$ 1,46 por km. O primeiro quilômetro é mais de 5× mais caro que o décimo: é o preço fixo de tirar um entregador da base.
≈ R$ 7,61/km · 39% das corridas
≈ R$ 2,56/km · 41% das corridas
≈ R$ 1,68/km · 15% das corridas
≈ R$ 1,46/km · 5% das corridas
O mapa de preços do Brasil
Índice de preço da corrida por macrorregião, com 100 = valor típico do país (R$ 8,73). Cada estado é colorido pela sua região: quanto mais azul, mais cara a corrida frente à média nacional. O Sul puxa o preço para cima (índice 108); o Centro-Oeste tem as corridas mais baratas e rápidas. Curiosidade: o Norte, apesar de barato no total, tem o maior R$/km do país (índice 115) — porque suas corridas são curtas, e o quilômetro curto é sempre o mais caro.
| Macrorregião | Preço típico | vs. país | R$/km |
|---|---|---|---|
| Sudeste | R$ 8,90 | ≈ média | R$ 3,34 |
| Sul | R$ 9,41 | +8% | R$ 3,38 |
| Nordeste | R$ 8,88 | ≈ média | R$ 3,18 |
| Centro-Oeste | R$ 7,25 | -17% | R$ 3,26 |
| Norte | R$ 7,60 | -13% | R$ 3,83 |
As cinco entregas do Brasil
Agregadas por macrorregião, as diferenças ficam nítidas. O Centro-Oeste e o Norte têm as entregas mais rápidas (índices 79 e 57 vs. o país), por causa de distâncias típicas menores. O Sul tende a puxar o preço para cima, enquanto o Nordeste reúne os maiores tempos de entrega. Cada região tem sua própria dinâmica de preço, ganho do entregador e divisão do valor.
| Macrorregião | Preço típico | vs. país | R$/km | Ganho entreg. | Fatia empresa | Entrega | Concluídas |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Sudeste | R$ 8,90 | ≈ média | R$ 3,34 | R$ 7,56 | 15% | 11,3 min | 89,4% |
| Sul | R$ 9,41 | +8% | R$ 3,38 | R$ 6,98 | 22% | 11,3 min | 96,9% |
| Nordeste | R$ 8,88 | ≈ média | R$ 3,18 | R$ 7,58 | 14% | 12,5 min | 93,4% |
| Centro-Oeste | R$ 7,25 | -17% | R$ 3,26 | R$ 6,70 | 10% | 8,7 min | 94,5% |
| Norte | R$ 7,60 | -13% | R$ 3,83 | R$ 7,21 | 3% | 6,3 min | 93,6% |
Fatia empresa = quanto, de cada corrida, fica com a empresa de entregas que organiza a operação (o restante vai para o entregador). Entrega = tempo típico da coleta ao destino. Índice 100 = valor típico do país.
Para onde vai o valor de cada corrida
De cada corrida paga, a maior parte vai direto para o entregador. No caso típico, ele fica com cerca de 86% do valor; os outros 14% ficam com a empresa de entregas que organiza a operação — cobre plataforma, suporte, gestão da frota e a margem do negócio dela.
Onde o entregador realmente fatura
Existe um mito de “hora de ouro”: madrugada e início da manhã pagam mais por corrida. É verdade — mas não adianta uma corrida render R$ 14 às 6h se quase ninguém pede nesse horário. O que de fato enche o bolso é onde ganho por corrida e volume de pedidos se encontram. As duas barras abaixo mostram isso lado a lado: a azul é quanto se ganha por corrida; a clara, quanta gente pede naquela hora.
Quando o Brasil pede
A demanda se concentra à noite. A hora de pico — 19h — concentra 11,2% dos pedidos do dia, bem acima da hora média. O mapa de calor abaixo cruza dia × hora: o ponto mais quente do mês foi a quinta-feira às 20h.
Cada célula é a fatia daquele dia × hora no volume mensal. As madrugadas concentram naturalmente pouquíssimos pedidos.
A anatomia de uma entrega de 11 minutos
A entrega típica levou 11,0 minutos da coleta ao destino, percorrendo 2,60 km a uma velocidade média de 13,7 km/h (trânsito urbano, com paradas). Há uma cauda longa: as 10% mais demoradas passaram de 35 min. O aceite é quase instantâneo — tipicamente 1,8 min entre o pedido entrar e um entregador assumir, sinal de um mercado com bastante entregador disponível neste período.
Valores típicos sobre entregas concluídas. Distância típica: 2,60 km; 9 em cada 10 entregas até 7,33 km.
A entrega rápida anda sobre duas rodas
A moto é o motor da última milha brasileira: 96,5% das entregas concluídas em abril. A bicicleta aparece com 3,3% — modesta, mas é o indicador a acompanhar como termômetro da mobilidade ativa. Carro e utilitários somados não chegam a 0,2%.
Metodologia
Dados agregados e anonimizados a partir das operações de empresas de entregas rápidas de todo o Brasil. Esta edição consolida centenas de milhares de entregas realizadas em abril de 2026.
Trabalhamos com o valor típico de cada indicador — aquele que fica no meio do mercado, com metade das corridas abaixo e metade acima. É mais justo que a “média”, porque não se distorce por alguns valores muito altos ou baixos. As comparações por região usam o valor típico do país como referência (100): um índice 120 significa 20% acima da média nacional; 85, 15% abaixo.
Os indicadores descrevem o comportamento do mercado, nunca operações ou clientes individuais. A granularidade geográfica máxima é a macrorregião e o estado — nunca cidade ou empresa específica. Período de referência: 1 a 30 de abril de 2026.