O mês sem feriado — quando só a semana dita o ritmo
Dados anonimizados de mais de 50 milhões de entregas processadas pelo Entregas Expressas.
Em julho de 2026, a corrida típica de entrega rápida custou R$ 8,72, dos quais o entregador ficou com R$ 7,24 — cerca de 84% do valor de cada viagem. Foi o primeiro mês do ano sem feriado nacional e já sem Copa (o Brasil havia sido eliminado em 5 de julho). Sem datas para distorcer o calendário, o mercado exibiu seu ritmo mais puro: o dia mais movimentado foi a última sexta-feira (dia 31) e o mais fraco, a última segunda (dia 27) — a diferença entre um e outro chegou a 1,5×. Todos os números mostram o valor típico do mercado, sobre centenas de milhares de entregas no país.
metade custou entre R$ 7,34 e R$ 11,19
metade entre R$ 2,26 e R$ 5,26 por km
84% do valor, por corrida concluída
da coleta ao destino
Sem feriado, a semana aparece nua
Junho teve o Dia dos Namorados e a estreia da Copa; julho não teve nada disso. E é justamente por ser um mês “normal” que ele é revelador: sem uma data para embaralhar o calendário, o que resta é o ritmo puro da semana. Tomando um dia comum como referência (100), os cinco picos do mês foram as cinco sextas-feiras — dias 3, 10, 17, 24 e 31 (todas entre 108 e 122) — e os cinco vales foram as segundas-feiras — dias 6, 13, 20 e 27 (todas entre 78 e 86). O topo absoluto ficou com a sexta 31 (índice 121,7), fechando o mês; o fundo, com a segunda 27 (índice 78,3). É o pulso natural do delivery quando nenhuma data o perturba: a semana sobe até a sexta e descansa na segunda.
Cada barra é a variação do volume daquele dia em relação a um dia comum (linha do meio = 0). Para cima = mais movimento; para baixo = menos. Os cinco topos (em preto) são as sextas-feiras; os vales (em cinza) são as segundas. Nenhum feriado nacional em julho — o desenho é o do próprio ciclo semanal.
O quilômetro mais caro é o primeiro
O preço por faixa de distância revela o custo de largada da última milha. Uma corrida de até 2 km custou tipicamente R$ 7,70 — cerca de R$ 7,70 por km. Já uma acima de 10 km saiu por R$ 20,51, ou aproximadamente R$ 1,50 por km. O primeiro quilômetro é mais de 5× mais caro que o décimo: é o preço fixo de tirar um entregador da base.
≈ R$ 7,70/km · 38% das corridas
≈ R$ 2,54/km · 43% das corridas
≈ R$ 1,66/km · 15% das corridas
≈ R$ 1,47/km · 5% das corridas
O mapa de preços do Brasil
Índice de preço da corrida por macrorregião, com 100 = valor típico do país (R$ 8,72). Cada estado é colorido pela sua região: quanto mais escuro, mais cara a corrida frente à média nacional. O Sul puxa o preço para cima; o Norte e o Centro-Oeste têm as corridas mais baratas — e mais rápidas. Curiosidade que se repete todo mês: o Norte, apesar de ter a corrida mais barata do país, exibe um dos maiores R$/km (índice 103) — porque suas corridas são as mais curtas, e o quilômetro curto é sempre o mais caro.
| Macrorregião | Preço típico | vs. país | R$/km |
|---|---|---|---|
| Sudeste | R$ 8,90 | ≈ média | R$ 3,34 |
| Sul | R$ 9,46 | +8% | R$ 3,40 |
| Nordeste | R$ 8,73 | ≈ média | R$ 3,03 |
| Centro-Oeste | R$ 7,65 | -12% | R$ 3,29 |
| Norte | R$ 7,07 | -19% | R$ 3,39 |
As cinco entregas do Brasil
Agregadas por macrorregião, as diferenças ficam nítidas. O Norte e o Centro-Oeste têm as entregas mais rápidas (típicas de 6,8 e 9,0 min), por causa de distâncias menores. O Nordeste tem a entrega mais demorada (12,8 min típicos). O Sul puxa o preço para cima, mas é onde o entregador divide mais o valor com a operação (fatia da empresa de 24%). Cada região tem sua própria dinâmica de preço, ganho do entregador e divisão do valor.
| Macrorregião | Preço típico | vs. país | R$/km | Ganho entreg. | Fatia empresa | Entrega | Concluídas |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Sudeste | R$ 8,90 | ≈ média | R$ 3,34 | R$ 7,60 | 15% | 11,2 min | 90,1% |
| Sul | R$ 9,46 | +8% | R$ 3,40 | R$ 6,94 | 24% | 11,6 min | 95,3% |
| Nordeste | R$ 8,73 | ≈ média | R$ 3,03 | R$ 7,21 | 18% | 12,8 min | 94,9% |
| Centro-Oeste | R$ 7,65 | -12% | R$ 3,29 | R$ 6,71 | 11% | 9,0 min | 93,8% |
| Norte | R$ 7,07 | -19% | R$ 3,39 | R$ 6,93 | 3% | 6,8 min | 93,1% |
Fatia empresa = quanto, de cada corrida, fica com a empresa de entregas que organiza a operação (o restante vai para o entregador). Entrega = tempo típico da coleta ao destino. Índice 100 = valor típico do país.
Retrato estado a estado
Descendo à Unidade Federativa, o mercado se abre num leque amplo. Santa Catarina foi o estado com a corrida mais cara do país (índice 147 — 47% acima da média), com o maior ganho típico do entregador (R$ 9,44). No extremo oposto, Rondônia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul ancoram as corridas mais baratas entre os estados de maior atividade. Onde a corrida é curta — Norte e Centro-Oeste —, a entrega é a mais rápida do país; onde a distância típica estica — Pernambuco e Mato Grosso —, o tempo sobe junto.
| Estado | Região | Preço típico | vs. país | R$/km | Ganho entreg. | Entrega |
|---|---|---|---|---|---|---|
| SP | Sudeste | R$ 9,41 | +8% | R$ 3,12 | R$ 8,01 | 11,5 min |
| MG | Sudeste | R$ 7,35 | -16% | R$ 3,89 | R$ 6,27 | 11,0 min |
| ES | Sudeste | R$ 8,66 | ≈ média | R$ 4,26 | R$ 7,57 | 6,8 min |
| PR | Sul | R$ 8,92 | ≈ média | R$ 3,28 | R$ 6,60 | 12,2 min |
| RS | Sul | R$ 10,00 | +15% | R$ 3,78 | R$ 7,98 | 9,9 min |
| SC | Sul | R$ 12,81 | +47% | R$ 3,45 | R$ 9,44 | 11,8 min |
| PE | Nordeste | R$ 9,23 | +6% | R$ 2,98 | R$ 7,75 | 14,4 min |
| CE | Nordeste | R$ 8,29 | -5% | R$ 3,29 | R$ 7,23 | 13,4 min |
| BA | Nordeste | R$ 8,47 | -3% | R$ 3,36 | R$ 6,80 | 10,8 min |
| GO | Centro-Oeste | R$ 7,54 | -14% | R$ 3,55 | R$ 6,65 | 7,2 min |
| MT | Centro-Oeste | R$ 8,26 | -5% | R$ 2,73 | R$ 6,88 | 16,4 min |
| MS | Centro-Oeste | R$ 7,35 | -16% | R$ 3,75 | R$ 6,55 | 6,2 min |
| RO | Norte | R$ 6,98 | -20% | R$ 3,32 | R$ 6,90 | 6,7 min |
| PA | Norte | R$ 9,59 | +10% | R$ 3,88 | R$ 8,28 | 7,7 min |
Uma seleção de estados de cada macrorregião, com o valor típico de cada indicador. Índice 100 = valor típico do país. A granularidade geográfica máxima é o estado — nunca cidade ou empresa.
Capital e interior: mesmo preço, ritmos diferentes
O que muda entre as capitais e o interior do país? Curiosamente, quase nada no preço: a corrida típica saiu por R$ 8,90 na capital e R$ 8,70 no interior — a diferença está no tempo. Na capital, a entrega típica leva 13,2 min (índice 120, 20% acima da média), contra 10,8 min no interior. E o entregador demora muito mais para “assumir” o pedido na capital: 11,4 min até alguém aceitar, contra menos de 1,8 min no interior. Trânsito mais pesado e maior disputa por entregador explicam a diferença. Em troca, o ganho típico do entregador na capital é um pouco maior (R$ 7,57, índice 105).
Capital = as capitais dos 27 estados; interior = todo o resto. Valores típicos de julho de 2026. Índice 100 = valor típico do país.
Para onde vai o valor de cada corrida
De cada corrida paga, a maior parte vai direto para o entregador. No caso típico, ele fica com cerca de 84% do valor — algo como R$ 7,24 de uma corrida típica de R$ 8,72; os outros 16% ficam com a empresa de entregas que organiza a operação — cobre plataforma, suporte, gestão da frota e a margem do negócio dela.
Onde o entregador realmente fatura
Existe um mito de “hora de ouro”: madrugada e início da manhã pagam mais por corrida. É verdade — mas não adianta uma corrida render mais às 6h se quase ninguém pede nesse horário. O que de fato enche o bolso é onde ganho por corrida e volume de pedidos se encontram. As duas barras abaixo mostram isso lado a lado: a escura é quanto se ganha por corrida; a clara, quanta gente pede naquela hora.
Quando o Brasil pede
A demanda se concentra à noite. A hora de pico — 20h — concentra 11,3% dos pedidos do dia, quase o triplo da hora média. Há ainda um segundo repique no almoço (11h–12h), menor que o do jantar. O mapa de calor abaixo cruza dia × hora: o ponto mais quente do mês foi a sexta-feira à noite (19h–20h) — coerente com a sexta ter sido o dia mais movimentado da semana.
Cada célula é a fatia daquele dia × hora no volume mensal. As madrugadas concentram naturalmente pouquíssimos pedidos.
A anatomia de uma entrega de 11 minutos
A entrega típica levou 11,0 minutos da coleta ao destino, percorrendo 2,62 km a uma velocidade média de 13,9 km/h (trânsito urbano, com paradas). Num mês mais calmo, sem os picos de uma data, a operação respirou: a entrega saiu um pouco mais rápida que em junho, e menos corridas foram canceladas. Há sempre uma cauda longa: as 10% mais demoradas passaram de 36 min. O aceite é quase instantâneo — tipicamente 1,8 min entre o pedido entrar e um entregador assumir, sinal de um mercado com bastante entregador disponível.
Valores típicos sobre entregas concluídas. Distância típica: 2,62 km; 9 em cada 10 entregas até 7,09 km. Das corridas do mês, 92,5% chegaram ao destino.
A entrega rápida anda sobre duas rodas
A moto é o motor da última milha brasileira: 96,5% das entregas concluídas em julho. A bicicleta responde por 3,4% — modesta, mas é o indicador a acompanhar como termômetro da mobilidade ativa. Carro e utilitários somados não chegam a 0,2%.
Metodologia
Dados agregados e anonimizados a partir das operações de empresas de entregas rápidas de todo o Brasil. Esta edição consolida centenas de milhares de entregas realizadas em julho de 2026.
Trabalhamos com o valor típico de cada indicador — aquele que fica no meio do mercado, com metade das corridas abaixo e metade acima. É mais justo que a “média”, porque não se distorce por alguns valores muito altos ou baixos. As comparações por região usam o valor típico do país como referência (100): um índice 120 significa 20% acima da média nacional; 85, 15% abaixo.
Os indicadores descrevem o comportamento do mercado, nunca operações ou clientes individuais. A granularidade geográfica máxima é a macrorregião e o estado — nunca cidade ou empresa específica. Período de referência: 1 a 31 de julho de 2026.