Panorama mensal · Setembro de 2026

Na capital, o pedido cancela três vezes mais que no interior

Dados anonimizados de mais de 50 milhões de entregas processadas pelo Entregas Expressas.

Capital e interior cobram o mesmo preço pela corrida — mas vivem mercados opostos. Na capital, 73% dos pedidos de setembro vieram de marketplace, o entregador levou 10 minutos para aceitar e 16,4% dos pedidos foram cancelados. No interior, 58% nascem direto no balcão, o aceite sai em 2 minutos e só 5,1% cancelam. No país inteiro, o pedido direto continua sendo maioria: 54,0%. A corrida típica custou R$ 8,83, o entregador levou R$ 7,43 por corrida — e, no dia em que trabalhou, R$ 61,53. E o feriadão de 7 de Setembro fez da sexta e do sábado da Independência os dois dias mais fortes do mês.

R$ 8,83
Preço típico da corrida
metade custou entre R$ 7,49 e R$ 11,44
R$ 3,33/km
Preço típico por quilômetro
metade entre R$ 2,29 e R$ 5,36 por km
R$ 7,43
Ganho típico do entregador
83% do valor, por corrida concluída
11,1 min
Tempo típico de entrega
da coleta ao destino

Por onde o pedido entra

Todo pedido de entrega rápida chega à operação por algum caminho: pelo aplicativo de um marketplace, pelo sistema de gestão do restaurante, pelo cardápio digital da própria loja, por um hub que junta vários canais — ou por ninguém, digitado no balcão. Essa é a camada que decide quem controla a demanda do comércio brasileiro, e é a primeira vez que ela aparece medida.

Pedido direto (balcão e painel)
54,00%
Marketplace de delivery
37,19%
Cardápio digital próprio
3,73%
Sistema de gestão / PDV
3,40%
Hub de pedidos
1,43%
Hub logístico
0,18%

Participação de cada tipo de canal no total de pedidos de setembro de 2026.

A leitura que importa: o pedido direto ainda é maioria — mas ele é maioria no conjunto do país, e essa média esconde dois mercados opostos (é a próxima seção). Repare também que metade das operações não tem canal contratado nenhum: entre as empresas de entrega, 49,8% operam só com pedido direto, 19,6% têm um único tipo de canal ligado, e apenas 16,2% trabalham com três ou mais frentes ao mesmo tempo.

O pedido muda conforme a porta por onde entra

Não é só uma questão de quem manda o pedido: o pedido em si é diferente. O que vem de cardápio digital próprio percorre 1,5× a distância típica do país, demora 1,3× o tempo para ser entregue e cancela 13,2% das vezes. O que vem de hub logístico — demanda de entrega revendida por terceiros — leva 1,5× o tempo de uma entrega comum. No outro extremo, pedido direto e sistema de gestão são os que menos cancelam: menos de 1 em cada 20.

CanalFatiaPreço típicovs. paísGanho entreg.DistânciaEntregavs. paísCancelamento
Direto 54,00% R$ 8,43 -5% R$ 6,92 2,57 km 10,8 min -3% 4,0%
Marketplace 37,19% R$ 9,26 +5% R$ 7,87 2,64 km 11,0 min ≈ média 8,8%
Cardápio próprio 3,73% R$ 9,87 +12% R$ 8,26 3,99 km 14,8 min +33% 13,2%
Sistema de gestão 3,40% R$ 8,90 ≈ média R$ 7,39 3,05 km 14,2 min +28% 3,9%
Hub de pedidos 1,43% R$ 9,63 +9% R$ 8,38 3,60 km 12,1 min +9% 13,0%
Hub logístico 0,18% R$ 8,44 -4% R$ 6,79 3,14 km 16,4 min +48% 8,4%

Valores típicos de setembro de 2026. “vs. país” compara com o valor típico nacional (100 = igual à média do país). Cancelamento = fatia dos pedidos daquele canal que não chegaram ao destino.

Cada canal tem o seu relógio

A curva abaixo mostra como o dia de cada canal é distribuído — cada linha soma 100% dentro do próprio canal. O sistema de gestão é o canal do almoço: 25% dos pedidos dele acontecem só entre 11h e 13h. O cardápio próprio é o oposto — é o canal do jantar, com mais da metade do movimento concentrada entre 18h e 21h. E o pedido direto é o único que se espalha: ele trabalha o dia inteiro, das 8h às 21h, sem um pico que domine.

0% 4% 9% 13% 18% 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23
Pedido direto
Marketplace
Sistema de gestão
Cardápio próprio

Os softwares que movimentam o mercado

Duas colunas contam histórias diferentes: fatia dos pedidos mede volume; presença mede quantas operações de entrega têm aquele canal ligado. O Anota AI é o exemplo perfeito da diferença — está presente em 16,3% das operações, bem mais que o Saipos (9,6%), mas traz menos pedidos que ele. É software de cauda longa: muitos lojistas pequenos, poucos pedidos cada.

CanalTipoFatia dos pedidosPresença nas operaçõesPreço vs. paísEntrega vs. paísCancelamento
iFood Marketplace 33,15% 39,2% +4% ≈ média 9,1%
Saipos Sistema de gestão 2,82% 9,6% ≈ média +21% 3,8%
99Food Marketplace 2,10% 4,8% +3% -6% 9,3%
Anota AI Cardápio próprio 1,88% 16,3% +7% +31% 9,4%
Zé Delivery Marketplace 1,72% 1,4% +22% -10% 3,1%
Cardápio Web Cardápio próprio 1,36% 10,0% +19% +39% 18,4%
Brendi Hub de pedidos 0,64% 10,5% +7% +20% 14,3%
Open Delivery Hub de pedidos 0,44% 6,7% +12% -12% 11,4%
Multipedidos Hub de pedidos 0,35% 3,3% +3% +20% 12,5%
InstaDelivery Cardápio próprio 0,28% 9,6% +18% +13% 16,6%
O iFood segue sozinho no topo — e a 99Food é quem mais se mexe atrás dele. O iFood respondeu por 33,2% de tudo que foi entregue no país em setembro e está ligado em 39% das operações. Logo atrás, a 99Food passou de 1,3% dos pedidos em agosto para 2,1%, e já está ligada em 4,8% das operações — mais que o dobro da presença que tinha um mês antes. Ainda é pequena perto do líder, mas é o canal de marketplace que mais ganhou espaço na operação de entrega.

Dois Brasis: a capital do aplicativo, o interior do balcão

Aqui está a história da edição. Capital e interior cobram praticamente o mesmo preço pela corrida (R$ 8,76 e R$ 8,85) — mas o pedido chega por caminhos opostos. Na capital, o marketplace responde por 72,5% dos pedidos: 2,0× o peso que ele tem no país. No interior, quem manda é o pedido direto, com 58,0%. O mesmo serviço, o mesmo preço, duas economias diferentes.

Capital
as 27 capitais estaduais
Por onde o pedido entra
Marketplace
72,5% · 2,0×
Direto
19,3% · 0,4×
Cardápio próprio
4,0% · 1,1×
Sistema de gestão
2,2% · 0,6×
Hub
2,0% · 1,4×

O segundo número é quanto aquele canal pesa ali em relação ao país (1,0× = igual à média nacional).

Corrida típica
R$ 8,76
≈ média vs. país
Ganho do entregador
R$ 7,60
≈ média vs. país
Tempo de entrega
11,1 min
≈ média vs. país
Até um entregador aceitar
10,3 min
tempo típico de espera
Interior
todo o resto do país
Por onde o pedido entra
Direto
58,0% · 1,1×
Marketplace
33,1% · 0,9×
Cardápio próprio
3,7% · 1,0×
Sistema de gestão
3,5% · 1,0×
Hub
1,4% · 1,0×

O segundo número é quanto aquele canal pesa ali em relação ao país (1,0× = igual à média nacional).

Corrida típica
R$ 8,85
≈ média vs. país
Ganho do entregador
R$ 7,37
≈ média vs. país
Tempo de entrega
11,1 min
≈ média vs. país
Até um entregador aceitar
1,9 min
tempo típico de espera
O preço da dependência. Na capital, o pedido espera 10,3 minutos até um entregador aceitar — contra 1,9 minutos no interior. E 16,4% dos pedidos da capital foram cancelados, contra 5,1% no interior: é mais de três vezes. O canal explica boa parte disso — o pedido de marketplace cancela 8,8% das vezes, mais que o dobro do pedido de balcão (4,0%). Quem opera na capital não opera num mercado mais caro: opera num mercado mais volátil, em que o mesmo pedido tem mais chance de não chegar.

O que está sendo entregue

Entrega rápida não é só comida — mas comida é a maior parte. A partir do que é possível identificar em cada pedido, 53,1% das entregas de setembro foram de alimentação preparada. Depois dela vêm documentos, farmácia e encomendas. Em cerca de um terço dos pedidos não há informação suficiente para dizer o tipo de comércio — e, como se vê adiante, esse grupo tem cara própria.

Tipo de entregaFatiaPreço típicovs. paísDistânciavs. paísEntregaHora de pico
Alimentação preparada 53,10% R$ 8,84 ≈ média 2,58 km -3% 10,6 min 19h
Sem tipo identificado 33,29% R$ 8,73 ≈ média 2,70 km ≈ média 11,7 min 20h
Documentos 6,60% R$ 8,85 ≈ média 2,98 km +12% 14,7 min 20h
Farmácia e saúde 2,27% R$ 7,67 -13% 1,88 km -29% 9,1 min 11h
Encomendas e e-commerce 2,22% R$ 8,86 ≈ média 3,39 km +28% 12,3 min 10h
Bebidas e conveniência 1,79% R$ 10,77 +22% 2,92 km +10% 10,1 min 19h
Varejo e moda 0,71% R$ 9,50 +8% 2,99 km +13% 11,3 min 11h

Cada tipo de entrega tem o seu horário

É aqui que a diferença entre os ramos fica evidente. O varejo é um negócio de manhã e de tarde: forte das 10h às 16h, e praticamente nada depois das 18h. A farmácia é o oposto de um pico — ela é uma linha quase reta das 9h às 18h, porque remédio se pede a qualquer hora. As encomendas seguem o horário comercial, já fortes a partir das 9h. E a alimentação tem os dois picos clássicos, almoço e jantar, com o jantar mandando.

0% 3% 6% 10% 13% 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23
Alimentação
Farmácia
Varejo
Encomendas
Sem tipo identificado
O grupo “sem tipo identificado” não é um buraco — é um retrato. A linha laranja acima acompanha a de alimentação quase ponto a ponto, com o mesmo pico às 20h. E 54% dos pedidos de balcão caem nele. A leitura mais provável é direta: esse grupo é, em boa parte, o restaurante do bairro que digita o pedido no balcão sem classificar nada — o mesmo negócio que, na capital, apareceria carimbado como “alimentação” porque veio do aplicativo.

Quem traz o quê

Os canais não são intercambiáveis: cada um carrega um tipo de comércio. O marketplace é quase monotemático — 95,0% do que ele traz é comida. Já o pedido direto é o canal diverso do país: é por ele que passam documentos, farmácia e encomendas, categorias que praticamente não existem nos aplicativos.

Marketplace
Alimentação
95,0%
Bebidas
4,6%
Documentos
0,4%
Outros
0,0%
Cardápio próprio
Alimentação
91,3%
Sem tipo identificado
6,6%
Documentos
2,0%
Outros
0,1%
Pedido direto
Sem tipo identificado
54,1%
Alimentação
24,6%
Documentos
11,5%
Farmácia
4,2%
Encomendas
4,1%
Outros
1,5%
Sistema de gestão
Sem tipo identificado
77,4%
Alimentação
21,2%
Documentos
1,3%
Outros
0,1%

O quilômetro mais caro é o primeiro

O preço por faixa de distância revela o custo de largada da última milha. Uma corrida de até 2 km custou tipicamente R$ 7,83 — cerca de R$ 7,83 por km. Já uma acima de 10 km saiu por R$ 19,50, ou aproximadamente R$ 1,39 por km. O primeiro quilômetro é mais de 5× mais caro que o décimo: é o preço fixo de tirar um entregador da base.

0–2 km
R$ 7,83
preço típico da corrida
≈ R$ 7,83/km · 37% das corridas
2–5 km
R$ 9,02
preço típico da corrida
≈ R$ 2,58/km · 43% das corridas
5–10 km
R$ 12,49
preço típico da corrida
≈ R$ 1,67/km · 15% das corridas
10 km+
R$ 19,50
preço típico da corrida
≈ R$ 1,39/km · 5% das corridas
Para a sua operação: precificar como “R$/km fixo” penaliza corridas curtas e subsidia as longas. A curva real é uma taxa de largada + custo por km rodado. Em setembro, 8 em cada 10 corridas ficaram abaixo de 5 km — exatamente onde o custo de largada pesa mais. E o efeito não é igual no país: no Norte, a corrida curta sai por R$ 6,68 e a longa por R$ 15,32; no Sul, os mesmos trechos custam R$ 8,52 e R$ 27,39.

Quanto o frete pesa no que está sendo entregue

Uma entrega de R$ 8,83 é cara ou barata? Depende do que vai dentro da sacola. Nos pedidos em que o valor da compra é informado, a mercadoria típica transportada valia R$ 52,10 — e o frete representou 19% desse valor. Metade das compras ficou entre R$ 31,84 e R$ 90,07.

R$ 52,10
Valor típico da compra transportada
19%
Peso do frete sobre a compra no caso típico
5,3%
Rotas com mais de uma parada 1,09 entrega por corrida, em média
19,8%
Corridas com retorno à coleta o entregador volta ao ponto de partida

O valor da compra é informado em parte dos pedidos, e varia por ramo — por isso comparamos o peso do frete, que é uma proporção dentro do mesmo pedido, e não o valor absoluto da sacola entre categorias diferentes.

O mapa do canal: cinco Brasis

Este mês o mapa não é de preço — é de quem controla a demanda. Quanto mais escuro, mais o pedido nasce direto na operação, sem intermediário. O Norte é o extremo: 93,2% dos pedidos entram direto (1,7× o peso do país) e o marketplace é praticamente ausente. O Nordeste é o oposto — a única região do Brasil onde o marketplace domina, com 51,6%.

RR · Norte — 93,2% dos pedidos entram direto na operação RR AP · Norte — 93,2% dos pedidos entram direto na operação AP AM · Norte — 93,2% dos pedidos entram direto na operação AM PA · Norte — 93,2% dos pedidos entram direto na operação PA MA · Nordeste — 30,6% dos pedidos entram direto na operação MA CE · Nordeste — 30,6% dos pedidos entram direto na operação CE RN · Nordeste — 30,6% dos pedidos entram direto na operação RN AC · Norte — 93,2% dos pedidos entram direto na operação AC RO · Norte — 93,2% dos pedidos entram direto na operação RO TO · Norte — 93,2% dos pedidos entram direto na operação TO PI · Nordeste — 30,6% dos pedidos entram direto na operação PI PB · Nordeste — 30,6% dos pedidos entram direto na operação PB PE · Nordeste — 30,6% dos pedidos entram direto na operação PE MT · Centro-Oeste — 69,1% dos pedidos entram direto na operação MT GO · Centro-Oeste — 69,1% dos pedidos entram direto na operação GO BA · Nordeste — 30,6% dos pedidos entram direto na operação BA AL · Nordeste — 30,6% dos pedidos entram direto na operação AL SE · Nordeste — 30,6% dos pedidos entram direto na operação SE MS · Centro-Oeste — 69,1% dos pedidos entram direto na operação MS MG · Sudeste — 51,0% dos pedidos entram direto na operação MG ES · Sudeste — 51,0% dos pedidos entram direto na operação ES DF · Centro-Oeste — 69,1% dos pedidos entram direto na operação DF SP · Sudeste — 51,0% dos pedidos entram direto na operação SP RJ · Sudeste — 51,0% dos pedidos entram direto na operação RJ PR · Sul — 61,6% dos pedidos entram direto na operação PR SC · Sul — 61,6% dos pedidos entram direto na operação SC RS · Sul — 61,6% dos pedidos entram direto na operação RS
mais dependente de aplicativos  →  mais pedido direto  · cores por macrorregião
MacrorregiãoPedido diretoMarketplaceO mercado é
Sudeste 51,0% 43,4% disputado
Sul 61,6% 26,9% concentrado
Nordeste 30,6% 51,6% disputado
Centro-Oeste 69,1% 22,9% concentrado
Norte 93,2% 1,9% praticamente sem concorrência

O que cada região tem a mais que o país

Comparar a composição de cada região com a do Brasil revela especializações que a média nacional apaga. Um valor de 2,0× significa que aquele canal ou tipo de entrega pesa o dobro ali do que pesa no país.

Sudeste
mercado disputado
Sistema de gestão 0,2× Bebidas 2,0×

A região mais equilibrada entre balcão e aplicativo — e a única em que bebidas viram um mercado próprio, com peso duas vezes o nacional, empurrado pelo Zé Delivery.

Corrida típica
R$ 9,03
≈ média
Entrega
11,3 min
Fatia da empresa
17%
Sul
mercado concentrado
Sistema de gestão 2,0× Varejo 3,7×

O território do software de gestão: ele pesa o dobro do país, puxado pelo Saipos, que responde por 12% dos pedidos da região. É também onde a corrida é a mais cara do Brasil, onde a empresa de entregas fica com a maior fatia do valor e onde o varejo (roupa, presente, loja) pesa quase quatro vezes a média.

Corrida típica
R$ 9,68
+10%
Entrega
11,0 min
Fatia da empresa
22%
Nordeste
mercado disputado
Marketplace 1,4× Direto 0,6× Sistema de gestão 3,0× Cardápio próprio 1,7× Alimentação 1,2×

Segue sendo a exceção do país: a única região em que o pedido de aplicativo supera o pedido de balcão. E é onde o sistema de gestão do comércio pesa mais — quase o triplo da média nacional, com o Saipos sozinho respondendo por 13% dos pedidos da região. O preço disso é o tempo: é a região em que o entregador mais demora a aceitar e a entrega mais demora a chegar.

Corrida típica
R$ 8,70
≈ média
Entrega
13,3 min
Fatia da empresa
18%
Centro-Oeste
mercado concentrado
Sistema de gestão 0,5× Farmácia 2,9×

A farmácia é a marca da região: pesa quase três vezes o que pesa no país, e os documentos também ficam acima da média. É o retrato de uma operação de entrega que serve o comércio de rua e os escritórios, não só o restaurante — e que fatura mais de 8 em cada 10 entregas.

Corrida típica
R$ 8,15
-8%
Entrega
9,4 min
Fatia da empresa
12%
Norte
mercado praticamente sem concorrência
Direto 1,7× Marketplace 0,1× Sistema de gestão 0,2× Sem tipo identificado 1,5×

O mercado menos intermediado do Brasil: mais de 9 em cada 10 pedidos entram direto, e o marketplace é residual. É também onde a corrida é a mais barata e a mais rápida do país.

Corrida típica
R$ 6,90
-22%
Entrega
7,4 min
Fatia da empresa
4%

Os multiplicadores comparam a composição de cada região com a do país (1,0× = igual à média nacional). Não medem tamanho de mercado nem volume de pedidos.

Retrato estado a estado

Dentro de cada região as diferenças persistem. Santa Catarina teve de novo a corrida mais cara do país (R$ 12,53, 1,4× o valor típico nacional) e o maior ganho por corrida para o entregador. Minas Gerais puxa para baixo com R$ 7,42 — mas é onde a corrida é a mais curta (1,78 km), o que faz do seu R$/km o mais alto da tabela. Rondônia tem a corrida mais barata entre os estados publicados, e Mato Grosso do Sul, a entrega mais rápida. Na outra ponta, a Paraíba combina corrida longa e a entrega mais demorada da lista.

UFRegiãoPreço típicovs. paísR$/kmGanho entreg.DistânciaEntrega
SP Sudeste R$ 9,73 +10% R$ 3,14 R$ 8,35 3,16 km 12,0 min
RJ Sudeste R$ 8,89 ≈ média R$ 3,53 R$ 7,58 2,59 km 9,8 min
MG Sudeste R$ 7,42 -16% R$ 4,13 R$ 6,20 1,78 km 10,9 min
ES Sudeste R$ 8,77 ≈ média R$ 4,29 R$ 7,70 2,10 km 7,4 min
SC Sul R$ 12,53 +42% R$ 3,73 R$ 9,93 3,43 km 10,5 min
RS Sul R$ 9,82 +11% R$ 3,76 R$ 7,95 2,35 km 9,6 min
PR Sul R$ 9,23 +5% R$ 3,42 R$ 6,78 2,64 km 11,8 min
PB Nordeste R$ 11,73 +33% R$ 2,43 R$ 9,10 4,73 km 26,4 min
PE Nordeste R$ 9,15 +4% R$ 2,91 R$ 7,70 3,34 km 15,4 min
BA Nordeste R$ 8,44 -4% R$ 3,42 R$ 6,74 2,50 km 10,7 min
CE Nordeste R$ 8,13 -8% R$ 3,43 R$ 7,28 2,30 km 12,5 min
AL Nordeste R$ 8,12 -8% R$ 2,60 R$ 6,75 3,24 km 14,0 min
MT Centro-Oeste R$ 8,59 -3% R$ 2,83 R$ 7,10 2,93 km 17,2 min
GO Centro-Oeste R$ 8,17 -7% R$ 3,63 R$ 6,81 1,97 km 7,3 min
MS Centro-Oeste R$ 7,40 -16% R$ 3,76 R$ 6,65 2,05 km 6,4 min
PA Norte R$ 11,06 +25% R$ 3,65 R$ 9,22 2,94 km 10,4 min
RO Norte R$ 6,84 -23% R$ 3,04 R$ 6,59 2,21 km 7,2 min

Valores típicos de setembro de 2026. A granularidade geográfica máxima publicada é o estado.

O dia de trabalho de quem entrega

Todo mês este boletim publica quanto rende uma corrida. Mas ninguém vive de uma corrida — vive de um dia. Por isso medimos também o dia inteiro: no dia em que trabalhou, o entregador típico fez 7,7 entregas ao longo de 5,2 horas e levou para casa R$ 61,53 — cerca de R$ 17,05 por hora rodada.

7,7
Entregas no dia
metade fez entre 3,7 e 14,0
5,2 h
Jornada no dia
da primeira à última entrega
R$ 61,53
Ganho no dia
metade entre R$ 27,90 e R$ 114,24
R$ 17,05/h
Ganho por hora rodada
as 10% melhores passaram de R$ 35,38/h
A entrega rápida é um trabalho intermitente, e o dado é categórico. No mês inteiro, o entregador típico trabalhou 7,7 dias — não 22, não 26. Um quarto deles rodou 3 dias ou menos; outro quarto passou de 17 dias. Isso muda completamente como se lê o ganho: R$ 61,53 por dia não vira salário mensal para a maior parte de quem está na rua. O que existe é um mercado com um núcleo de profissionais em tempo integral e uma cauda larga de gente que entrega alguns dias por mês.

A distância entre o dia fraco e o dia cheio

A dispersão é enorme, e é ela que define o negócio: o dia do quarto inferior rende R$ 27,90; o do quarto superior, R$ 114,24 — mais de 4×. E os 10% de dias mais cheios passaram de R$ 184,93, com mais de 22 entregas.

Tipo de diaEntregasJornadaGanho no diaPor hora
Dia fraco
1 em cada 4 dias fica abaixo disso
3,7 2,9 h R$ 27,90 R$ 10,50/h
Dia típico
o dia do meio do mercado
7,7 5,2 h R$ 61,53 R$ 17,05/h
Dia cheio
1 em cada 4 dias fica acima disso
14,0 9,3 h R$ 114,24 R$ 24,88/h
Dia excepcional
só 1 em cada 10 dias chega lá
22,0 12,3 h R$ 184,93 R$ 35,38/h

A jornada considera o intervalo entre a primeira e a última entrega concluída no dia — é o tempo em que o entregador esteve efetivamente rodando, e não inclui a espera antes do primeiro pedido.

Para onde vai o valor de cada corrida

De cada corrida paga, a maior parte vai direto para o entregador. No caso típico, ele fica com cerca de 83% do valor — R$ 7,43 de uma corrida típica de R$ 8,83; os outros 17% ficam com a empresa de entregas que organiza a operação.

VALOR DA corrida
83%
vai para o entregador — quem faz a entrega
17%
fica com a empresa de entregas — que organiza, dá suporte e gere a operação
Essa divisão varia muito pelo país: no Sul, a fatia da empresa de entregas é de 22%; no Norte, de apenas 4%. E varia também por canal — no hub logístico, onde a demanda é revendida por um intermediário, a fatia média chega a 25%, a maior entre os canais de pedido.

Como a entrega é cobrada do comércio

Não confunda com o consumidor pagando a compra na porta: o que se mede aqui é o acerto entre a empresa de entregas e o comércio que a contratou. E ele é quase todo a prazo — 66,8% das entregas são faturadas, fechadas depois, e outros 26,5% saem de uma carteira pré-paga que o lojista abastece. Cobrança na hora, em dinheiro ou cartão, é minoria absoluta.

Faturado — fecha depois
66,81%
Carteira pré-paga
26,51%
Dinheiro na entrega
4,27%
Pix
0,76%
Já pago no aplicativo
0,48%
Pago online
0,27%
Cartão na maquininha
0,10%
É uma indústria que entrega primeiro e cobra depois. Dois terços do mercado opera faturado, o que significa que a empresa de entregas banca o custo do entregador antes de receber do lojista — capital de giro é parte do modelo de negócio, não um detalhe financeiro. O Nordeste é a região onde isso menos vale: lá a carteira pré-paga (45,6%) empata com o faturado (45,9%), o que reduz o risco de inadimplência de quem opera lá. No Centro-Oeste, o faturado chega a 81,8%. E repare no dinheiro na entrega: é a forma que mais cancela, 14,3% das vezes.

Quando o Brasil pede

A demanda se concentra à noite. A hora de pico — 20h — concentra 11,5% dos pedidos do dia, quase o triplo da hora média. Há um segundo repique no almoço (11h–13h), menor que o do jantar. O mapa de calor abaixo cruza dia × hora: o ponto mais quente do mês foi o sábado à noite (20h), colado na sexta no mesmo horário.

00 02 04 06 08 10 8,0% 12 8,5% 14 16 18 7,1% 11,3% 20 11,5% 8,9% 22

O mapa de calor da semana

000102030405060708091011121314151617181920212223
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sáb

Quanto mais escuro, maior a fatia do movimento do mês naquela combinação de dia e hora.

O ritmo da semana, corrigido pelo calendário

Setembro de 2026 começou numa terça e teve cinco terças e cinco quartas, mas só quatro de cada um dos outros dias. Comparar a fatia bruta faria a terça parecer mais forte do que é só por ter aparecido uma vez a mais. Corrigido pelo número de vezes que cada dia caiu no mês, o ranking real mostra sábado e sexta no topo, com folga, e a segunda-feira atrás de todos — mesmo tendo o feriado de 7 de Setembro entre elas.

Domingo
+6%
Segunda
-15%
Terça
-10%
Quarta
-8%
Quinta
-5%
Sexta
+15%
Sábado
+18%

Movimento de cada dia da semana comparado a um dia comum (100 = dia médio do mês).

O mês dia a dia — e o feriadão da Independência

Em 2026, o 7 de Setembro caiu numa segunda-feira e formou um feriadão de sexta a segunda. E ele aparece com clareza no calendário: a sexta, dia 4, teve índice 128 e o sábado, dia 5, 129 — os dois dias mais fortes do mês, bem acima das outras sextas (112, em média) e dos outros sábados (115). O feriado em si, a segunda, dia 7, ficou em 104: não teve cara de segunda-feira — que no resto do mês ficou em 80 —, e sim de domingo (104 nos domingos comuns). Fora do feriadão, setembro foi o metrônomo de sempre: vales às segundas e picos nas sextas e sábados.

97
1
94
2
100
3
128
4
129
5
113
6
104
7
92
8
94
9
99
10
116
11
113
12
106
13
84
14
89
15
90
16
93
17
112
18
120
19
105
20
80
21
87
22
89
23
90
24
107
25
111
26
103
27
77
28
86
29
94
30
sextas segundas fim de semana do feriadão (4 a 6) 7 de Setembro 100 = dia comum do mês
Para a próxima segunda-feira de feriado: escale como domingo, não como segunda. E reforce a sexta e o sábado que abrem o feriadão — foi neles, e não no feriado, que o movimento passou de 25% acima de um dia comum.

Onde o entregador realmente fatura

Existe um mito de “hora de ouro”: madrugada e início da manhã pagam mais por corrida. É verdade — mas não adianta uma corrida render mais às 9h se o volume ali é uma fração do da noite. O que enche o bolso é onde ganho por corrida e volume de pedidos se encontram.

■ ganho por corrida
■ volume de pedidos
07h
R$ 8,96
0,4%
08h
R$ 9,91
1,4%
09h
R$ 11,52
2,4%
10h
R$ 8,92
3,4%
11h
R$ 8,54
8,0%
12h
R$ 8,78
8,5%
13h
R$ 9,97
6,9%
14h
R$ 9,57
6,3%
15h
R$ 8,98
6,1%
16h
R$ 8,38
5,5%
17h
R$ 8,83
4,9%
18h
R$ 9,23
7,1%
19h
R$ 8,44
11,3%
20h
R$ 8,22
11,5%
21h
R$ 8,08
8,9%
22h
R$ 7,99
5,0%
23h
R$ 8,90
1,9%
A leitura prática: o ganho por corrida é quase plano ao longo do dia. A exceção é o início da manhã — às 9h a corrida rendeu R$ 11,52, mas essa hora concentra só 2,4% dos pedidos. Fora dela, o ganho fica entre R$ 7,99 e R$ 9,97. Ou seja: escolher horário muda pouco o valor de cada corrida; muda o número de corridas que dá para fazer. O melhor retorno por hora trabalhada está onde há mais pedidos — 19h a 21h — e no pico do almoço. Correr atrás da “hora que paga mais” é otimizar a variável errada.

A anatomia de uma entrega de 11 minutos

A entrega típica levou 11,1 minutos da coleta ao destino, percorrendo 2,65 km a uma velocidade média de 14,0 km/h (trânsito urbano, com paradas). O aceite é quase instantâneo — 2,4 min entre o pedido entrar e um entregador assumir. Há sempre uma cauda longa: as 10% mais demoradas passaram de 36 min.

2,4 min
Aceite (pedido → entregador aceita)
7,3 min
Coleta (aceite → retirada)
11,1 min
Entrega (coleta → destino)
14,0 km/h
Velocidade média no trânsito urbano

Como a rota é montada

5,3%
das corridas têm mais de uma parada
19,8%
exigem retorno ao ponto de coleta
10,5%
nascem sem endereço definido o destino é informado durante a corrida
15,8%
esperam antes de sair agendamento ou tempo de preparo

Das corridas do mês, 90,4% chegaram ao destino. Distância típica: 2,65 km; 9 em cada 10 entregas até 7,25 km.

A entrega rápida anda sobre duas rodas

A moto é o motor da última milha brasileira: 95,9% das entregas concluídas em setembro. A bicicleta responde por 3,87% — modesta, mas é o termômetro da mobilidade ativa. Carro e utilitários somados não chegam a 0,2%.

Moto
95,88%
Bicicleta
3,87%
Carro
0,14%
Elétrico
0,09%
Utilitário
0,01%

Metodologia

Dados agregados e anonimizados a partir das operações de empresas de entregas rápidas de todo o Brasil. Esta edição consolida centenas de milhares de entregas realizadas em setembro de 2026.

Trabalhamos com o valor típico de cada indicador — aquele que fica no meio do mercado, com metade das corridas abaixo e metade acima. É mais justo que a “média”, porque não se distorce por alguns valores muito altos ou baixos. As comparações por região usam o valor típico do país como referência (100): um índice 120 significa 20% acima da média nacional; 85, 15% abaixo. Quando comparamos a composição de uma região com a do país (por exemplo, quanto o marketplace pesa ali), o resultado aparece como multiplicador: 1,4× quer dizer 40% mais presente que a média nacional.

A origem de cada pedido vem do sistema por onde ele entrou na operação. O tipo de comércio é identificado a partir do que cada operação registra no pedido e do canal por onde ele chegou. A jornada do entregador considera o intervalo entre a primeira e a última entrega concluída no dia. O peso do frete sobre a mercadoria é calculado nos pedidos em que o valor da compra é informado.

Os indicadores descrevem o comportamento do mercado, nunca operações ou clientes individuais. A granularidade geográfica máxima é a macrorregião e o estado — nunca cidade ou empresa específica. Período de referência: 1 a 30 de setembro de 2026.

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