Panorama mensal · Agosto de 2026

Metade das entregas do Brasil não passa por aplicativo nenhum

Dados anonimizados de mais de 50 milhões de entregas processadas pelo Entregas Expressas.

Esta edição abre uma caixa-preta que nenhum boletim anterior tinha aberto: por onde o pedido entra na operação de entrega. E a resposta contraria a intuição — 55,6% dos pedidos de agosto nasceram direto, no balcão ou no painel da própria empresa, contra 33,5% vindos do iFood. Só que o país está partido em dois: na capital, 72% dos pedidos vêm de marketplace; no interior, 59% nascem no balcão. São dois mercados com o mesmo preço e lógicas opostas. A corrida típica custou R$ 8,74, o entregador levou R$ 7,33 por corrida — e, no dia em que trabalhou, R$ 57,85.

R$ 8,74
Preço típico da corrida
metade custou entre R$ 7,41 e R$ 11,17
R$ 3,29/km
Preço típico por quilômetro
metade entre R$ 2,26 e R$ 5,30 por km
R$ 7,33
Ganho típico do entregador
84% do valor, por corrida concluída
10,7 min
Tempo típico de entrega
da coleta ao destino

Por onde o pedido entra

Todo pedido de entrega rápida chega à operação por algum caminho: pelo aplicativo de um marketplace, pelo sistema de gestão do restaurante, pelo cardápio digital da própria loja, por um hub que junta vários canais — ou por ninguém, digitado no balcão. Essa é a camada que decide quem controla a demanda do comércio brasileiro, e é a primeira vez que ela aparece medida.

Pedido direto (balcão e painel)
55,56%
Marketplace de delivery
37,09%
Sistema de gestão / PDV
3,31%
Cardápio digital próprio
3,10%
Hub de pedidos
0,84%
Hub logístico
0,10%

Participação de cada tipo de canal no total de pedidos de agosto de 2026.

A leitura que importa: o pedido direto ainda é maioria — mas ele é maioria no conjunto do país, e essa média esconde dois mercados opostos (é a próxima seção). Repare também que metade das operações não tem canal contratado nenhum: entre as empresas de entrega, 50,3% operam só com pedido direto, 20,5% têm um único tipo de canal ligado, e apenas 16,2% trabalham com três ou mais frentes ao mesmo tempo.

O pedido muda conforme a porta por onde entra

Não é só uma questão de quem manda o pedido: o pedido em si é diferente. O que vem de cardápio digital próprio percorre 1,5× a distância típica do país e demora 1,4× mais para ser entregue. O que vem de hub logístico — demanda de entrega revendida por terceiros — leva 2,1× o tempo de uma entrega comum. Já o pedido de balcão é o mais curto, o mais rápido e, de longe, o que menos cancela.

CanalFatiaPreço típicovs. paísGanho entreg.DistânciaEntregavs. paísCancelamento
Direto 55,56% R$ 8,40 -4% R$ 6,90 2,57 km 10,6 min ≈ média 3,7%
Marketplace 37,09% R$ 9,07 +4% R$ 7,76 2,62 km 10,5 min -3% 10,0%
Sistema de gestão 3,31% R$ 8,88 ≈ média R$ 7,41 2,92 km 13,1 min +22% 4,1%
Cardápio próprio 3,10% R$ 9,56 +9% R$ 8,08 3,86 km 14,7 min +37% 10,6%
Hub de pedidos 0,84% R$ 9,15 +5% R$ 7,89 3,66 km 12,5 min +16% 17,3%
Hub logístico 0,10% R$ 8,88 ≈ média R$ 6,82 3,51 km 22,7 min +112% 12,5%

Valores típicos de agosto de 2026. “vs. país” compara com o valor típico nacional (100 = igual à média do país). Cancelamento = fatia dos pedidos daquele canal que não chegaram ao destino.

Cada canal tem o seu relógio

A curva abaixo mostra como o dia de cada canal é distribuído — cada linha soma 100% dentro do próprio canal. O sistema de gestão é o canal do almoço: 27% dos pedidos dele acontecem só entre 11h e 13h. O cardápio próprio é o oposto — é o canal do jantar, com metade do movimento concentrado entre 18h e 21h. E o pedido direto é o único que se espalha: ele trabalha o dia inteiro, das 8h às 21h, sem um pico que domine.

0% 5% 10% 15% 20% 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23
Pedido direto
Marketplace
Sistema de gestão
Cardápio próprio

Os softwares que movimentam o mercado

Duas colunas contam histórias diferentes: fatia dos pedidos mede volume; presença mede quantas operações de entrega têm aquele canal ligado. O Anota AI é o exemplo perfeito da diferença — está presente em 17,8% das operações, quase o dobro da presença do Saipos, mas traz menos pedidos que ele. É software de cauda longa: muitos lojistas pequenos, poucos pedidos cada.

CanalTipoFatia dos pedidosPresença nas operaçõesPreço vs. paísEntrega vs. paísCancelamento
iFood Marketplace 33,48% 39,5% ≈ média ≈ média 10,1%
Saipos Sistema de gestão 2,75% 10,8% ≈ média +13% 2,9%
Zé Delivery Marketplace 1,98% 1,6% +22% -20% 6,4%
Anota AI Cardápio próprio 1,92% 17,8% +6% +40% 7,0%
99Food Marketplace 1,34% 2,2% ≈ média -6% 11,2%
Cardápio Web Cardápio próprio 0,83% 10,3% +12% +30% 19,3%
Brendi Hub de pedidos 0,49% 11,9% ≈ média +27% 19,1%
Aiqfome Marketplace 0,27% 2,2% +9% -15% 2,0%
Open Delivery Hub de pedidos 0,23% 5,9% +19% -4% 12,8%
InstaDelivery Cardápio próprio 0,16% 8,6% +20% +6% 15,8%
O iFood entra por três portas, não uma. Além do canal direto dele, pedidos do iFood chegam à operação de entrega por dentro de sistemas de gestão e de hubs de pedido. Somando os caminhos, a marca responde por 33,5% de tudo que foi entregue no país em agosto — mais do que qualquer leitura de um canal isolado mostraria. É a diferença entre perguntar “qual software?” e perguntar “de quem é a demanda?”.

Dois Brasis: a capital do aplicativo, o interior do balcão

Aqui está a virada da edição. Capital e interior cobram praticamente o mesmo preço pela corrida (R$ 8,77 e R$ 8,74) — mas o pedido chega por caminhos opostos. Na capital, o marketplace responde por 72,4% dos pedidos: 2,0× o peso que ele tem no país. No interior, quem manda é o pedido direto, com 59,4%. O mesmo serviço, o mesmo preço, duas economias diferentes.

Capital
as 27 capitais estaduais
Por onde o pedido entra
Marketplace
72,4% · 2,0×
Direto
21,0% · 0,4×
Cardápio próprio
3,0% · 1,0×
Sistema de gestão
2,4% · 0,7×
Hub
1,2% · 1,4×

O segundo número é quanto aquele canal pesa ali em relação ao país (1,0× = igual à média nacional).

Corrida típica
R$ 8,77
≈ média vs. país
Ganho do entregador
R$ 7,61
+4% vs. país
Tempo de entrega
11,2 min
+4% vs. país
Até um entregador aceitar
9,3 min
tempo típico de espera
Interior
todo o resto do país
Por onde o pedido entra
Direto
59,4% · 1,1×
Marketplace
33,2% · 0,9×
Sistema de gestão
3,4% · 1,0×
Cardápio próprio
3,1% · 1,0×
Hub
0,9% · 1,0×

O segundo número é quanto aquele canal pesa ali em relação ao país (1,0× = igual à média nacional).

Corrida típica
R$ 8,74
≈ média vs. país
Ganho do entregador
R$ 7,23
≈ média vs. país
Tempo de entrega
10,7 min
≈ média vs. país
Até um entregador aceitar
1,8 min
tempo típico de espera
O preço da dependência. Na capital, o entregador espera 9,3 minutos até alguém aceitar o pedido — contra 1,8 minuto no interior. E a capital conclui 82% das corridas, contra 92% no interior. O canal explica boa parte disso: o pedido de marketplace cancela 10,0% das vezes, quase três vezes o pedido de balcão (3,7%). Quem opera na capital opera num mercado mais volátil, e não mais caro.

O que está sendo entregue

Entrega rápida não é só comida — mas comida é a maior parte. A partir do que é possível identificar em cada pedido, 52,5% das entregas de agosto foram de alimentação preparada. Depois dela vêm documentos, farmácia e encomendas. Em cerca de um terço dos pedidos não há informação suficiente para dizer o tipo de comércio — e, como se vê adiante, esse grupo tem cara própria.

Tipo de entregaFatiaPreço típicovs. paísDistânciavs. paísEntregaHora de pico
Alimentação preparada 52,48% R$ 8,69 ≈ média 2,54 km -3% 10,1 min 19h
Sem tipo identificado 33,50% R$ 8,73 ≈ média 2,69 km ≈ média 11,6 min 20h
Documentos 6,06% R$ 8,90 ≈ média 3,20 km +22% 15,5 min 20h
Farmácia e saúde 2,78% R$ 7,53 -14% 1,89 km -28% 9,5 min 18h
Encomendas e e-commerce 2,38% R$ 8,83 ≈ média 3,50 km +33% 12,0 min 15h
Bebidas e conveniência 1,98% R$ 10,64 +22% 2,98 km +13% 8,6 min 19h
Varejo e moda 0,79% R$ 9,55 +9% 3,06 km +16% 11,5 min 10h

Cada tipo de entrega tem o seu horário

É aqui que a diferença entre os ramos fica evidente. O varejo é um negócio de manhã e de tarde: pico às 10h, e praticamente nada depois das 18h. A farmácia é o oposto de um pico — ela é uma linha quase reta das 8h às 19h, porque remédio se pede a qualquer hora. As encomendas seguem o horário comercial, com pico às 15h. E a alimentação tem os dois picos clássicos, almoço e jantar, com o jantar mandando.

0% 3% 7% 10% 13% 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23
Alimentação
Farmácia
Varejo
Encomendas
Sem tipo identificado
O grupo “sem tipo identificado” não é um buraco — é um retrato. A linha laranja acima acompanha a de alimentação quase ponto a ponto, com o mesmo pico às 20h. E 54% dos pedidos de balcão caem nele. A leitura mais provável é direta: esse grupo é, em boa parte, o restaurante do bairro que digita o pedido no balcão sem classificar nada — o mesmo negócio que, na capital, apareceria carimbado como “alimentação” porque veio do aplicativo.

Quem traz o quê

Os canais não são intercambiáveis: cada um carrega um tipo de comércio. O marketplace é quase monotemático — 93,8% do que ele traz é comida. Já o pedido direto é o canal diverso do país: é por ele que passam documentos, farmácia e encomendas, categorias que praticamente não existem nos aplicativos.

Marketplace
Alimentação
93,8%
Bebidas
5,3%
Documentos
1,0%
Outros
0,0%
Cardápio próprio
Alimentação
92,2%
Sem tipo identificado
5,2%
Documentos
2,5%
Outros
0,1%
Pedido direto
Sem tipo identificado
54,2%
Alimentação
25,0%
Documentos
10,0%
Farmácia
5,0%
Encomendas
4,3%
Outros
1,5%
Sistema de gestão
Sem tipo identificado
76,1%
Alimentação
22,9%
Documentos
0,9%
Outros
0,1%

O quilômetro mais caro é o primeiro

O preço por faixa de distância revela o custo de largada da última milha. Uma corrida de até 2 km custou tipicamente R$ 7,78 — cerca de R$ 7,78 por km. Já uma acima de 10 km saiu por R$ 19,69, ou aproximadamente R$ 1,41 por km. O primeiro quilômetro é mais de 5× mais caro que o décimo: é o preço fixo de tirar um entregador da base.

0–2 km
R$ 7,78
preço típico da corrida
≈ R$ 7,78/km · 38% das corridas
2–5 km
R$ 8,93
preço típico da corrida
≈ R$ 2,55/km · 43% das corridas
5–10 km
R$ 12,35
preço típico da corrida
≈ R$ 1,65/km · 15% das corridas
10 km+
R$ 19,69
preço típico da corrida
≈ R$ 1,41/km · 5% das corridas
Para a sua operação: precificar como “R$/km fixo” penaliza corridas curtas e subsidia as longas. A curva real é uma taxa de largada + custo por km rodado. Em agosto, 8 em cada 10 corridas ficaram abaixo de 5 km — exatamente onde o custo de largada pesa mais. E o efeito não é igual no país: no Norte, a corrida curta sai por R$ 6,69 e a longa por R$ 18,20; no Sul, os mesmos trechos custam R$ 8,49 e R$ 26,84.

Quanto o frete pesa no que está sendo entregue

Uma entrega de R$ 8,74 é cara ou barata? Depende do que vai dentro da sacola. Nos pedidos em que o valor da compra é informado, a mercadoria típica transportada valia R$ 53,92 — e o frete representou 18% desse valor. Metade das compras ficou entre R$ 32,50 e R$ 93,74.

R$ 53,92
Valor típico da compra transportada
18%
Peso do frete sobre a compra no caso típico
5,1%
Rotas com mais de uma parada 1,08 entrega por corrida, em média
19,7%
Corridas com retorno à coleta o entregador volta ao ponto de partida

O valor da compra é informado em parte dos pedidos, e varia por ramo — por isso comparamos o peso do frete, que é uma proporção dentro do mesmo pedido, e não o valor absoluto da sacola entre categorias diferentes.

O mapa do canal: cinco Brasis

Este mês o mapa não é de preço — é de quem controla a demanda. Quanto mais escuro, mais o pedido nasce direto na operação, sem intermediário. O Norte é o extremo: 91,6% dos pedidos entram direto (1,7× o peso do país) e o marketplace é praticamente ausente. O Nordeste é o oposto — a única região do Brasil onde o marketplace domina, com 52,5%.

RR · Norte — 91,6% dos pedidos entram direto na operação RR AP · Norte — 91,6% dos pedidos entram direto na operação AP AM · Norte — 91,6% dos pedidos entram direto na operação AM PA · Norte — 91,6% dos pedidos entram direto na operação PA MA · Nordeste — 32,7% dos pedidos entram direto na operação MA CE · Nordeste — 32,7% dos pedidos entram direto na operação CE RN · Nordeste — 32,7% dos pedidos entram direto na operação RN AC · Norte — 91,6% dos pedidos entram direto na operação AC RO · Norte — 91,6% dos pedidos entram direto na operação RO TO · Norte — 91,6% dos pedidos entram direto na operação TO PI · Nordeste — 32,7% dos pedidos entram direto na operação PI PB · Nordeste — 32,7% dos pedidos entram direto na operação PB PE · Nordeste — 32,7% dos pedidos entram direto na operação PE MT · Centro-Oeste — 68,3% dos pedidos entram direto na operação MT GO · Centro-Oeste — 68,3% dos pedidos entram direto na operação GO BA · Nordeste — 32,7% dos pedidos entram direto na operação BA AL · Nordeste — 32,7% dos pedidos entram direto na operação AL SE · Nordeste — 32,7% dos pedidos entram direto na operação SE MS · Centro-Oeste — 68,3% dos pedidos entram direto na operação MS MG · Sudeste — 52,6% dos pedidos entram direto na operação MG ES · Sudeste — 52,6% dos pedidos entram direto na operação ES DF · Centro-Oeste — 68,3% dos pedidos entram direto na operação DF SP · Sudeste — 52,6% dos pedidos entram direto na operação SP RJ · Sudeste — 52,6% dos pedidos entram direto na operação RJ PR · Sul — 63,3% dos pedidos entram direto na operação PR SC · Sul — 63,3% dos pedidos entram direto na operação SC RS · Sul — 63,3% dos pedidos entram direto na operação RS
mais dependente de aplicativos  →  mais pedido direto  · cores por macrorregião
MacrorregiãoPedido diretoMarketplaceO mercado é
Sudeste 52,6% 42,6% concentrado
Sul 63,3% 27,7% concentrado
Nordeste 32,7% 52,5% disputado
Centro-Oeste 68,3% 25,3% concentrado
Norte 91,6% 2,2% praticamente sem concorrência

O que cada região tem a mais que o país

Comparar a composição de cada região com a do Brasil revela especializações que a média nacional apaga. Um valor de 2,0× significa que aquele canal ou tipo de entrega pesa o dobro ali do que pesa no país.

Sudeste
mercado concentrado
Sistema de gestão 0,3× Bebidas 2,1×

A região mais equilibrada entre balcão e aplicativo — e a única em que bebidas viram um mercado próprio, com peso duas vezes o nacional, empurrado pelo Zé Delivery.

Corrida típica
R$ 8,86
≈ média
Entrega
10,8 min
Fatia da empresa
16%
Sul
mercado concentrado
Sistema de gestão 2,0× Cardápio próprio 0,5× Varejo 3,4×

O território do software de gestão: ele pesa o dobro do país, puxado pelo Saipos, que sozinho responde por 13% dos pedidos da região. É também onde a corrida é a mais cara do Brasil e onde o varejo (roupa, presente, loja) pesa mais de três vezes a média.

Corrida típica
R$ 9,70
+11%
Entrega
11,2 min
Fatia da empresa
23%
Nordeste
mercado disputado
Marketplace 1,4× Direto 0,6× Sistema de gestão 2,8× Cardápio próprio 1,3× Hub 1,8× Alimentação 1,1×

A exceção do país: é a única região em que o pedido de aplicativo supera o pedido de balcão. E é também onde o sistema de gestão do comércio pesa mais — quase o triplo da média nacional. Um mercado de comércio informatizado e plataformizado ao mesmo tempo.

Corrida típica
R$ 8,72
≈ média
Entrega
13,0 min
Fatia da empresa
18%
Centro-Oeste
mercado concentrado
Cardápio próprio 1,4× Sistema de gestão 0,5× Hub 0,4× Farmácia 2,2×

Farmácia e documentos são a marca da região: pesam 2,2× e 1,6× o país. É o retrato de uma operação de entrega que serve o comércio de rua e os escritórios, não só o restaurante.

Corrida típica
R$ 7,95
-9%
Entrega
9,4 min
Fatia da empresa
12%
Norte
mercado praticamente sem concorrência
Direto 1,7× Marketplace 0,1× Sistema de gestão 0,5× Hub 1,7× Sem tipo identificado 1,4×

O mercado menos intermediado do Brasil: 9 em cada 10 pedidos entram direto, e o marketplace é residual. É também onde a corrida é a mais barata e a mais rápida do país.

Corrida típica
R$ 6,88
-21%
Entrega
7,0 min
Fatia da empresa
4%

Os multiplicadores comparam a composição de cada região com a do país (1,0× = igual à média nacional). Não medem tamanho de mercado nem volume de pedidos.

Retrato estado a estado

Dentro de cada região as diferenças persistem. Santa Catarina teve a corrida mais cara do país (R$ 12,84, 1,5× o valor típico nacional) e também o maior ganho por corrida para o entregador. Minas Gerais puxa para baixo com R$ 7,31 — mas é onde a corrida é a mais curta (1,80 km), o que faz do seu R$/km um dos mais altos. Rondônia tem a corrida mais barata e a mais rápida entre os estados publicados.

UFRegiãoPreço típicovs. paísR$/kmGanho entreg.DistânciaEntrega
SP Sudeste R$ 9,35 +7% R$ 3,05 R$ 7,97 3,12 km 11,3 min
RJ Sudeste R$ 8,87 ≈ média R$ 3,61 R$ 7,57 2,53 km 9,8 min
MG Sudeste R$ 7,31 -16% R$ 3,92 R$ 6,22 1,80 km 10,7 min
ES Sudeste R$ 8,67 ≈ média R$ 4,39 R$ 7,58 2,02 km 6,6 min
SC Sul R$ 12,84 +47% R$ 3,75 R$ 9,94 3,66 km 11,7 min
RS Sul R$ 9,91 +13% R$ 3,77 R$ 8,03 2,38 km 9,7 min
PR Sul R$ 9,23 +6% R$ 3,40 R$ 6,78 2,65 km 11,7 min
PB Nordeste R$ 11,51 +32% R$ 2,38 R$ 8,95 4,75 km 28,9 min
PE Nordeste R$ 9,18 +5% R$ 2,93 R$ 7,74 3,31 km 14,9 min
BA Nordeste R$ 8,44 -3% R$ 3,36 R$ 6,74 2,53 km 10,4 min
CE Nordeste R$ 8,36 -4% R$ 3,40 R$ 7,43 2,34 km 12,5 min
AL Nordeste R$ 8,07 -8% R$ 2,62 R$ 6,74 3,18 km 13,9 min
MT Centro-Oeste R$ 8,73 ≈ média R$ 2,90 R$ 7,25 2,84 km 16,2 min
GO Centro-Oeste R$ 7,85 -10% R$ 3,49 R$ 6,70 2,01 km 7,8 min
MS Centro-Oeste R$ 7,35 -16% R$ 3,69 R$ 6,58 2,01 km 6,1 min
PA Norte R$ 10,83 +24% R$ 3,83 R$ 9,06 2,74 km 10,1 min
RO Norte R$ 6,83 -22% R$ 3,05 R$ 6,62 2,19 km 6,9 min

Valores típicos de agosto de 2026. A granularidade geográfica máxima publicada é o estado.

O dia de trabalho de quem entrega

Todo mês este boletim publica quanto rende uma corrida. Mas ninguém vive de uma corrida — vive de um dia. Esta é a primeira vez que medimos o dia inteiro: no dia em que trabalhou, o entregador típico fez 7,3 entregas ao longo de 5,4 horas e levou para casa R$ 57,85 — cerca de R$ 16,30 por hora rodada.

7,3
Entregas no dia
metade fez entre 3,5 e 13,5
5,4 h
Jornada no dia
da primeira à última entrega
R$ 57,85
Ganho no dia
metade entre R$ 26,24 e R$ 109,27
R$ 16,30/h
Ganho por hora rodada
as 10% melhores passaram de R$ 33,73/h
A entrega rápida é um trabalho intermitente, e o dado é categórico. No mês inteiro, o entregador típico trabalhou 8,3 dias — não 22, não 26. Um quarto deles rodou 3 dias ou menos; outro quarto passou de 19 dias. Isso muda completamente como se lê o ganho: R$ 57,85 por dia não vira salário mensal para a maior parte de quem está na rua. O que existe é um mercado com um núcleo de profissionais em tempo integral e uma cauda larga de gente que entrega alguns dias por mês.

A distância entre o dia fraco e o dia cheio

A dispersão é enorme, e é ela que define o negócio: o dia do quarto inferior rende R$ 26,24; o do quarto superior, R$ 109,27 — mais de 4×. E os 10% de dias mais cheios passaram de R$ 177,78, com mais de 22 entregas.

Tipo de diaEntregasJornadaGanho no diaPor hora
Dia fraco
1 em cada 4 dias fica abaixo disso
3,5 2,9 h R$ 26,24 R$ 9,94/h
Dia típico
o dia do meio do mercado
7,3 5,4 h R$ 57,85 R$ 16,30/h
Dia cheio
1 em cada 4 dias fica acima disso
13,5 9,3 h R$ 109,27 R$ 24,17/h
Dia excepcional
só 1 em cada 10 dias chega lá
21,7 12,3 h R$ 177,78 R$ 33,73/h

A jornada considera o intervalo entre a primeira e a última entrega concluída no dia — é o tempo em que o entregador esteve efetivamente rodando, e não inclui a espera antes do primeiro pedido.

Para onde vai o valor de cada corrida

De cada corrida paga, a maior parte vai direto para o entregador. No caso típico, ele fica com cerca de 84% do valor — R$ 7,33 de uma corrida típica de R$ 8,74; os outros 16% ficam com a empresa de entregas que organiza a operação.

VALOR DA corrida
84%
vai para o entregador — quem faz a entrega
16%
fica com a empresa de entregas — que organiza, dá suporte e gere a operação
Essa divisão varia muito pelo país: no Sul, a fatia da empresa de entregas é de 23%; no Norte, de apenas 4%. E varia também por canal — no hub logístico, onde a demanda é revendida por um intermediário, a fatia média chega a 25%, a maior de todos os canais.

Como a entrega é cobrada do comércio

Não confunda com o consumidor pagando a compra na porta: o que se mede aqui é o acerto entre a empresa de entregas e o comércio que a contratou. E ele é quase todo a prazo — 67,0% das entregas são faturadas, fechadas depois, e outros 26,5% saem de uma carteira pré-paga que o lojista abastece. Cobrança na hora, em dinheiro ou cartão, é minoria absoluta.

Faturado — fecha depois
67,03%
Carteira pré-paga
26,51%
Dinheiro na entrega
3,80%
Pix
0,85%
Já pago no aplicativo
0,43%
Pago online
0,21%
Cartão na maquininha
0,13%
É uma indústria que entrega primeiro e cobra depois. Mais de dois terços do mercado opera faturado, o que significa que a empresa de entregas banca o custo do entregador antes de receber do lojista — capital de giro é parte do modelo de negócio, não um detalhe financeiro. O Nordeste é a exceção que confirma a regra: é a única região onde a carteira pré-paga (46,9%) supera o faturado, o que reduz o risco de inadimplência de quem opera lá. No Centro-Oeste, o faturado chega a 80,3%.

Quando o Brasil pede

A demanda se concentra à noite. A hora de pico — 20h — concentra 11,3% dos pedidos do dia, quase o triplo da hora média. Há um segundo repique no almoço (11h–13h), menor que o do jantar. O mapa de calor abaixo cruza dia × hora: o ponto mais quente do mês foi o sábado à noite (20h).

00 02 04 06 08 10 7,9% 12 8,4% 14 16 18 7,2% 11,2% 20 11,3% 8,6% 22

O mapa de calor da semana

000102030405060708091011121314151617181920212223
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sáb

Quanto mais escuro, maior a fatia do movimento do mês naquela combinação de dia e hora.

O ritmo da semana, corrigido pelo calendário

Agosto de 2026 começou num sábado e teve cinco sábados, cinco domingos e cinco segundas, mas só quatro sextas. Comparar a fatia bruta de cada dia faria o domingo parecer mais forte que a sexta só por ter aparecido uma vez a mais. Corrigido pelo número de vezes que cada dia caiu no mês, o ranking real é este — e mostra sexta e sábado praticamente empatados no topo, com a segunda-feira bem atrás.

Domingo
+4%
Segunda
-19%
Terça
-12%
Quarta
-6%
Quinta
≈ média
Sexta
+17%
Sábado
+17%

Movimento de cada dia da semana comparado a um dia comum (100 = dia médio do mês).

O mês dia a dia — e o Dia dos Pais que não veio

O calendário de agosto é o metrônomo puro da semana: cinco vales, todos às segundas-feiras (dias 3, 10, 17, 24 e 31), e picos nas sextas e sábados. O dado que surpreende é o Dia dos Pais (domingo, 9): índice 102,9 — praticamente um domingo qualquer, e abaixo do último domingo do mês (dia 30, índice 114,2). Ao contrário do Dia das Mães, que move a operação, o Dia dos Pais passou quase em branco para a entrega rápida.

111
1
98
2
82
3
88
4
99
5
104
6
124
7
121
8
103
9
82
10
88
11
90
12
96
13
116
14
117
15
103
16
78
17
89
18
93
19
98
20
112
21
114
22
103
23
77
24
87
25
92
26
98
27
117
28
122
29
114
30
86
31
sextas segundas Dia dos Pais (9) 100 = dia comum do mês

Onde o entregador realmente fatura

Existe um mito de “hora de ouro”: madrugada e início da manhã pagam mais por corrida. É verdade — mas não adianta uma corrida render mais às 10h se o volume ali é uma fração do da noite. O que enche o bolso é onde ganho por corrida e volume de pedidos se encontram.

■ ganho por corrida
■ volume de pedidos
07h
R$ 8,40
0,4%
08h
R$ 8,58
1,5%
09h
R$ 8,89
2,5%
10h
R$ 9,37
3,4%
11h
R$ 8,46
7,9%
12h
R$ 8,77
8,4%
13h
R$ 8,48
6,9%
14h
R$ 8,47
6,4%
15h
R$ 8,17
6,2%
16h
R$ 8,68
5,8%
17h
R$ 8,65
5,1%
18h
R$ 8,42
7,2%
19h
R$ 8,52
11,2%
20h
R$ 8,18
11,3%
21h
R$ 8,11
8,6%
22h
R$ 7,84
4,8%
23h
R$ 8,36
1,8%
A leitura prática: o ganho por corrida é notavelmente plano ao longo do dia — fica entre R$ 7,84 e R$ 9,37 em todas as horas úteis. Ou seja: escolher horário não muda quase nada no valor de cada corrida; muda o número de corridas que dá para fazer. O melhor retorno por hora trabalhada está onde há mais pedidos — 19h a 21h — e nas bordas do pico do almoço. Correr atrás da “hora que paga mais” é otimizar a variável errada.

A anatomia de uma entrega de 11 minutos

A entrega típica levou 10,7 minutos da coleta ao destino, percorrendo 2,63 km a uma velocidade média de 14,2 km/h (trânsito urbano, com paradas). O aceite é quase instantâneo — 1,9 min entre o pedido entrar e um entregador assumir. Há sempre uma cauda longa: as 10% mais demoradas passaram de 36 min.

1,9 min
Aceite (pedido → entregador aceita)
7,2 min
Coleta (aceite → retirada)
10,7 min
Entrega (coleta → destino)
14,2 km/h
Velocidade média no trânsito urbano

Como a rota é montada

5,1%
das corridas têm mais de uma parada
19,7%
exigem retorno ao ponto de coleta
11,9%
nascem sem endereço definido o destino é informado durante a corrida
14,3%
esperam antes de sair agendamento ou tempo de preparo

Das corridas do mês, 90,9% chegaram ao destino. Distância típica: 2,63 km; 9 em cada 10 entregas até 7,11 km.

Especial desta edição

Por que as entregas falham

Toda operação de entrega sabe quantos pedidos deram errado. Quase nenhuma sabe o quê deu errado. É uma lacuna de registro, não de operação: os motivos de cancelamento que os sistemas oferecem foram desenhados para a loja e para o cliente — problema no estabelecimento, cliente desistiu —, e param exatamente onde a entrega começa. O que acontece entre a calçada da loja e a porta do destinatário sai do registro como “cancelado”, e mais nada. Esta edição mede essa lacuna: 88,7% dos cancelamentos de agosto dizem apenas quem apertou o botão, nunca o que houve.

88,7%
dos cancelamentos não dizem o que aconteceu
registram só quem cancelou
1 em 15
cancelamentos acontece com a mercadoria já na rua
6,75% do total
7,3 min
o entregador espera na porta antes de desistir
contra 1,2 min quando a entrega acontece
2,4×
mais insucesso quando o endereço não tem número
sem CEP, 2,1×

Onde o pedido morre

Um pedido cancelado não é um evento só. Ele pode morrer na fila, antes de qualquer entregador tocar nele; a caminho da coleta; na porta da loja, com o entregador parado esperando; ou na rua, com a mercadoria já na mochila. São quatro problemas diferentes, com quatro culpados diferentes — e hoje os quatro recebem a mesma palavra.

Ninguém aceitou
o pedido morreu na fila, sem entregador
82,20% 23 min até morrer
Entregador a caminho
aceitou e ainda não tinha chegado na loja
9,13% 11 min até morrer
Mercadoria já na rua
coletada, com o entregador
6,75% 29 min até morrer
Entregador parado na loja
chegou para coletar e o pedido não saiu
1,93% 17 min até morrer
O caso mais caro é o menor: 6,75% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já coletada. Aí a operação já pagou tudo — o deslocamento, a espera, a coleta — e ainda vai pagar a volta. A mercadoria roda 9 minutos antes de o pedido morrer no caso típico, mas 1 em cada 4 passa de 40 minutos na rua, e as 10% mais longas passam de duas horas.

O motivo que ninguém registra

Ordenados por frequência, os motivos que os sistemas de entrega gravam hoje respondem a uma pergunta só: quem cancelou. “Cancelado pelo cliente” e “cancelado pela integração” não são causas — são remetentes. Somados ao que não tem motivo nenhum, eles cobrem quase nove de cada dez cancelamentos.

Motivo registrado Dos cancelamentos Diz o que aconteceu? Onde acontece
Nenhum motivo registrado 36,45% só quem quase tudo na fila
Cancelado pelo cliente 27,18% só quem quase tudo na fila
Cancelado pela integração 21,36% só quem quase tudo na fila
Nenhum entregador aceitou 11,20% sim só na fila
Cancelado pela central 3,69% só quem 9 em cada 10, com a mercadoria na rua
Problema de saldo ou pagamento 0,12% sim antes de sair

Um detalhe revelador: 9 em cada 10 cancelamentos feitos pela central acontecem com a mercadoria já na rua. Quando o problema é de rua, quem resolve não é quem está lá — é quem atende o telefone. E, nesse grupo, quase 90% dos cancelamentos saem sem qualquer explicação gravada: metade como “a central cancelou” e quase toda a outra metade sem motivo nenhum.

A entrega que chega e não acontece

Existe um desfecho que não é entrega nem cancelamento: o entregador chega ao destino e volta com a mercadoria. Ele aparece no registro de 1 a cada 1.000 entregas coletadas — e é aí que está a descoberta que explica o resto da seção: 98,7% desses pedidos são fechados como concluídos. A falha não vira cancelamento. Ela desaparece dentro de um pedido bem-sucedido.

É por isso que nenhuma lista de motivos de cancelamento jamais vai enxergar o problema que ela quer resolver. O insucesso não é um cancelamento — é uma parada. Num pedido com três entregas, duas dão certo e uma não: o pedido termina concluído, e o único registro do que houve na terceira porta é um sinalizador de “não entregue”, sem texto, sem causa e sem responsável.

Quase toda entrega que falha termina com a mercadoria voltando ao ponto de coleta — a operação paga a viagem inteira duas vezes. E em 2 de cada 3 casos o entregador chegou a registrar que estava no destino antes de desistir: ele foi até lá, e a entrega não aconteceu mesmo assim.

A impressão digital do “não localizado”: o tempo na porta

Comparar quanto tempo o entregador fica parado no destino quando entrega e quando desiste é a medida mais próxima que existe de uma resposta ao “o que aconteceu ali”. Quando a entrega acontece, ela é quase instantânea. Quando não acontece, o entregador toca a campainha, liga, espera — e o relógio conta seis vezes mais.

Quando desiste 7,3 min tempo típico
1 em cada 4 passa de 14,5 min · as 10% mais longas passam de 23,1 min
Quando entrega 1,2 min tempo típico
1 em cada 4 passa de 2,8 min · as 10% mais longas passam de 6,5 min

O endereço que não tem porta

A segunda hipótese — endereço incorreto ou insuficiente — se sustenta, e dá para dizer exatamente qual pedaço do endereço importa. Não é o complemento: entregas sem complemento falham na mesma proporção das que têm. É o número, e depois o CEP — os dois campos que dizem em que ponto da rua o entregador deve parar.

Endereço Preenchido em Insucesso a mais Entre as entregas que falharam
Sem número na rua 91,9% 2,4× 23,6% estavam assim
Sem CEP 89,8% 2,1× 17,4% estavam assim
Sem complemento 55,4% não muda 43,6% estavam assim

As duas leituras se confirmam: endereço sem número responde por 1 em cada 4 entregas que não aconteceram, contra 8 em cada 100 endereços do mês. Nome e telefone do destinatário não seguem o mesmo padrão — quem preenche esses campos é um tipo de operação diferente, e o dado, aí, fala mais sobre quem registra do que sobre a porta.

A falha é diurna — o oposto do movimento

O pico da entrega rápida é a noite: 31,0% dos pedidos do mês entram entre 19h e 21h. Mas é justamente aí que a entrega quase nunca falha — quem pediu jantar está em casa esperando. O insucesso mora no horário comercial, quando a entrega bate numa porta cujo morador está no trabalho. Às 8h da manhã, o risco é o dobro do das 20h.

158
08h
1,5%
152
09h
2,5%
124
10h
3,4%
76
11h
7,9%
101
12h
8,4%
79
13h
6,9%
141
14h
6,4%
126
15h
6,2%
146
16h
5,8%
110
17h
5,1%
97
18h
7,2%
68
19h
11,2%
74
20h
11,3%
89
21h
8,6%
68
22h
4,8%
76
23h
1,8%
risco acima da média risco abaixo da média 100 = risco médio do mês · o segundo número é a fatia do movimento naquela hora

A madrugada tem os maiores riscos de todos, mas sobre um movimento que mal existe: entre 0h e 6h entra menos de 1% dos pedidos do mês. É estatística de exceção, não rotina de operação.

Quanto mais longe e mais paradas, mais a entrega falha

A distância é o previsor mais limpo que os dados oferecem: passar de uma corrida de bairro para uma de mais de 10 km quadruplica o risco de a entrega não acontecer. E a rota com duas paradas é a mais frágil de todas — mais até que a de três ou mais, porque naquelas o entregador já sai sabendo que está fazendo um circuito.

Por distância da corrida
até 2 km
-37%
2 a 5 km
-11%
5 a 10 km
+77%
mais de 10 km
+150%

100 = risco médio de insucesso do mês.

Por número de paradas da rota
Uma parada
-6%
Duas paradas
+150%
Três ou mais
+21%

Na faixa de 5 a 10 km o cancelamento com a mercadoria na rua também dispara: mais de 3× o da corrida de bairro.

Capital e interior falham por motivos opostos

É o contraste mais forte da seção. Na capital, o pedido cancelado é quase sempre o pedido que ninguém quis: 96,5% dos cancelamentos acontecem antes de qualquer entregador aceitar, e o pedido fica pendurado duas horas e meia até alguém desistir dele. No interior o pedido morre dez vezes mais rápido — e morre na rua: a proporção de cancelamentos com a mercadoria já coletada é 1,3× a média do país, contra 0,1× na capital.

Capital
cancelamento 2,5× morre na rua 0,1×
Pedidos cancelados16,01%
Morreram na fila, sem entregador96,5%
Morreram com a mercadoria na rua0,89%
Tempo típico até o cancelamento2h33
Espera na porta antes de desistir7,8 min
Interior
cancelamento 0,8× morre na rua 1,3×
Pedidos cancelados5,28%
Morreram na fila, sem entregador77,5%
Morreram com a mercadoria na rua8,70%
Tempo típico até o cancelamento13 min
Espera na porta antes de desistir7,3 min

Os multiplicadores comparam cada segmento com a média do país (1,0× = igual à média nacional). A espera na porta é praticamente idêntica nos dois: o cliente que não desce é o mesmo em qualquer lugar do Brasil.

O mapa de onde a mercadoria morre na rua

Quanto mais escuro, maior a proporção de cancelamentos que acontecem com a mercadoria já coletada — o desfecho mais caro de todos. O Nordeste é o extremo do país: mais de 1 em cada 4 cancelamentos da região acontece com o entregador já na rua. No Sudeste, o padrão é o oposto: cancela-se mais, mas cedo, antes de a mercadoria sair.

RR · Norte — 2,7% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua RR AP · Norte — 2,7% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua AP AM · Norte — 2,7% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua AM PA · Norte — 2,7% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua PA MA · Nordeste — 27,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua MA CE · Nordeste — 27,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua CE RN · Nordeste — 27,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua RN AC · Norte — 2,7% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua AC RO · Norte — 2,7% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua RO TO · Norte — 2,7% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua TO PI · Nordeste — 27,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua PI PB · Nordeste — 27,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua PB PE · Nordeste — 27,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua PE MT · Centro-Oeste — 7,3% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua MT GO · Centro-Oeste — 7,3% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua GO BA · Nordeste — 27,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua BA AL · Nordeste — 27,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua AL SE · Nordeste — 27,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua SE MS · Centro-Oeste — 7,3% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua MS MG · Sudeste — 3,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua MG ES · Sudeste — 3,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua ES DF · Centro-Oeste — 7,3% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua DF SP · Sudeste — 3,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua SP RJ · Sudeste — 3,2% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua RJ PR · Sul — 5,0% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua PR SC · Sul — 5,0% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua SC RS · Sul — 5,0% dos cancelamentos acontecem com a mercadoria já na rua RS
morre antes de sair → morre com a mercadoria na rua · cores por macrorregião
MacrorregiãoCanceladosMorre na rua
Nordeste 5,35% 27,2% 4,0×
Centro-Oeste 2,73% 7,3% 1,1×
Sul 5,00% 5,0% 0,7×
Sudeste 8,46% 3,2% 0,5×
Norte 3,95% 2,7% 0,4×

“Morre com a mercadoria na rua” é a fatia dos cancelamentos da região que acontecem depois da coleta, e o multiplicador ao lado compara a região com o país (1,0× = igual à média nacional).

A entrega que nem chegou a começar

Antes de qualquer problema de rua existe um problema anterior: 0,71% dos pedidos do mês simplesmente não encontraram entregador — 1 em cada 9 cancelamentos. E o dado que surpreende é que 8 em cada 10 desses pedidos nunca chegaram à tela de ninguém: não houve recusa, houve ausência. Quando o pedido chegou a ser oferecido, ele passou por 9 entregadores em média, e 3 em cada 10 ofertas foram recusadas.

8 em 10
pedidos perdidos por falta de entregador não chegaram a ser oferecidos a ninguém
9
entregadores tocados, em média, quando o pedido chegou a ser oferecido
29,7%
das ofertas recusadas nesses pedidos
8 em 10
pedidos que perdem o entregador já designado terminam cancelados

O que falta poder registrar

Juntando as evidências, é possível montar a lista que os cadastros de motivo ainda não têm — cada linha com o número que a sustenta. Nenhuma delas é opinião: são os desfechos que a operação brasileira produziu em agosto e não teve onde nomear.

Destinatário não localizado

Onde a entrega falha, o entregador esperou 7,3 min na porta antes de desistir — seis vezes o tempo de quem entrega. E falha mais de dia, quando não há ninguém em casa.

Endereço incorreto ou insuficiente

Endereço sem número falha 2,4× mais; sem CEP, 2,1×. Entre as entregas que não aconteceram, 1 em cada 4 estava num endereço sem número.

Destinatário recusou a mercadoria

Hoje é indistinguível de "não localizado": as duas terminam do mesmo jeito, com a mercadoria voltando para a loja. Só quem estava na porta sabe a diferença — e não tem onde dizer.

Loja ou cliente desistiu com o entregador na rua

1 em cada 10 cancelamentos com a mercadoria já coletada é feito pelo próprio cliente, em média meia hora depois de o pedido nascer.

Problema com o entregador

Acidente, pane, desistência: raro, mas quase sempre fatal — quando o pedido perde o entregador que já tinha aceitado, 8 em cada 10 terminam cancelados.

Acesso impedido ou área de risco

Não aparece em nenhum registro do mês. Não porque não aconteça — porque não existe onde registrar.

Espera excessiva na coleta

O entregador espera 2 min na porta da loja no caso típico, mas 1 em cada 10 coletas passa de 13 min. E 1,9% dos cancelamentos acontecem com ele parado ali.

E uma conclusão sobre onde o motivo deve morar. Quase todo insucesso de entrega termina num pedido marcado como concluído — a falha é de uma parada, não do pedido. Um motivo de cancelamento preso ao pedido, por melhor que seja a lista, continuará cego para o caso mais comum de todos: a rota que deu certo em duas portas e errado na terceira. O motivo precisa ser perguntado na parada, no momento em que o entregador desiste — que é, aliás, o único instante em que alguém sabe a resposta.

Como lemos: “risco de insucesso” compara a chance de uma entrega coletada não ser concluída com a média do mês (100 = risco médio). “Morre na rua” é a fatia dos cancelamentos que acontece depois da coleta. Tempos são o valor típico — metade dos casos ficou abaixo, metade acima. Os motivos de cancelamento são os registrados pelos próprios sistemas das operações, agregados e anonimizados.

A entrega rápida anda sobre duas rodas

A moto é o motor da última milha brasileira: 96,6% das entregas concluídas em agosto. A bicicleta responde por 3,24% — modesta, mas é o termômetro da mobilidade ativa. Carro e utilitários somados não chegam a 0,2%.

Moto
96,58%
Bicicleta
3,24%
Carro
0,15%
Utilitário
0,02%
Elétrico
0,01%

Metodologia

Dados agregados e anonimizados a partir das operações de empresas de entregas rápidas de todo o Brasil. Esta edição consolida centenas de milhares de entregas realizadas em agosto de 2026.

Trabalhamos com o valor típico de cada indicador — aquele que fica no meio do mercado, com metade das corridas abaixo e metade acima. É mais justo que a “média”, porque não se distorce por alguns valores muito altos ou baixos. As comparações por região usam o valor típico do país como referência (100): um índice 120 significa 20% acima da média nacional; 85, 15% abaixo. Quando comparamos a composição de uma região com a do país (por exemplo, quanto o marketplace pesa ali), o resultado aparece como multiplicador: 1,4× quer dizer 40% mais presente que a média nacional.

A origem de cada pedido vem do sistema por onde ele entrou na operação. O tipo de comércio é identificado a partir do que cada operação registra no pedido e do canal por onde ele chegou. A jornada do entregador considera o intervalo entre a primeira e a última entrega concluída no dia. O peso do frete sobre a mercadoria é calculado nos pedidos em que o valor da compra é informado.

Os indicadores descrevem o comportamento do mercado, nunca operações ou clientes individuais. A granularidade geográfica máxima é a macrorregião e o estado — nunca cidade ou empresa específica. Período de referência: 1 a 31 de agosto de 2026.

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