Metade das entregas do Brasil não passa por aplicativo nenhum
Dados anonimizados de mais de 50 milhões de entregas processadas pelo Entregas Expressas.
Esta edição abre uma caixa-preta que nenhum boletim anterior tinha aberto: por onde o pedido entra na operação de entrega. E a resposta contraria a intuição — 55,6% dos pedidos de agosto nasceram direto, no balcão ou no painel da própria empresa, contra 33,5% vindos do iFood. Só que o país está partido em dois: na capital, 72% dos pedidos vêm de marketplace; no interior, 59% nascem no balcão. São dois mercados com o mesmo preço e lógicas opostas. A corrida típica custou R$ 8,74, o entregador levou R$ 7,33 por corrida — e, no dia em que trabalhou, R$ 57,85.
metade custou entre R$ 7,41 e R$ 11,17
metade entre R$ 2,26 e R$ 5,30 por km
84% do valor, por corrida concluída
da coleta ao destino
Por onde o pedido entra
Todo pedido de entrega rápida chega à operação por algum caminho: pelo aplicativo de um marketplace, pelo sistema de gestão do restaurante, pelo cardápio digital da própria loja, por um hub que junta vários canais — ou por ninguém, digitado no balcão. Essa é a camada que decide quem controla a demanda do comércio brasileiro, e é a primeira vez que ela aparece medida.
Participação de cada tipo de canal no total de pedidos de agosto de 2026.
O pedido muda conforme a porta por onde entra
Não é só uma questão de quem manda o pedido: o pedido em si é diferente. O que vem de cardápio digital próprio percorre 1,5× a distância típica do país e demora 1,4× mais para ser entregue. O que vem de hub logístico — demanda de entrega revendida por terceiros — leva 2,1× o tempo de uma entrega comum. Já o pedido de balcão é o mais curto, o mais rápido e, de longe, o que menos cancela.
| Canal | Fatia | Preço típico | vs. país | Ganho entreg. | Distância | Entrega | vs. país | Cancelamento |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Direto | 55,56% | R$ 8,40 | -4% | R$ 6,90 | 2,57 km | 10,6 min | ≈ média | 3,7% |
| Marketplace | 37,09% | R$ 9,07 | +4% | R$ 7,76 | 2,62 km | 10,5 min | -3% | 10,0% |
| Sistema de gestão | 3,31% | R$ 8,88 | ≈ média | R$ 7,41 | 2,92 km | 13,1 min | +22% | 4,1% |
| Cardápio próprio | 3,10% | R$ 9,56 | +9% | R$ 8,08 | 3,86 km | 14,7 min | +37% | 10,6% |
| Hub de pedidos | 0,84% | R$ 9,15 | +5% | R$ 7,89 | 3,66 km | 12,5 min | +16% | 17,3% |
| Hub logístico | 0,10% | R$ 8,88 | ≈ média | R$ 6,82 | 3,51 km | 22,7 min | +112% | 12,5% |
Valores típicos de agosto de 2026. “vs. país” compara com o valor típico nacional (100 = igual à média do país). Cancelamento = fatia dos pedidos daquele canal que não chegaram ao destino.
Cada canal tem o seu relógio
A curva abaixo mostra como o dia de cada canal é distribuído — cada linha soma 100% dentro do próprio canal. O sistema de gestão é o canal do almoço: 27% dos pedidos dele acontecem só entre 11h e 13h. O cardápio próprio é o oposto — é o canal do jantar, com metade do movimento concentrado entre 18h e 21h. E o pedido direto é o único que se espalha: ele trabalha o dia inteiro, das 8h às 21h, sem um pico que domine.
Os softwares que movimentam o mercado
Duas colunas contam histórias diferentes: fatia dos pedidos mede volume; presença mede quantas operações de entrega têm aquele canal ligado. O Anota AI é o exemplo perfeito da diferença — está presente em 17,8% das operações, quase o dobro da presença do Saipos, mas traz menos pedidos que ele. É software de cauda longa: muitos lojistas pequenos, poucos pedidos cada.
| Canal | Tipo | Fatia dos pedidos | Presença nas operações | Preço vs. país | Entrega vs. país | Cancelamento |
|---|---|---|---|---|---|---|
| iFood | Marketplace | 33,48% | 39,5% | ≈ média | ≈ média | 10,1% |
| Saipos | Sistema de gestão | 2,75% | 10,8% | ≈ média | +13% | 2,9% |
| Zé Delivery | Marketplace | 1,98% | 1,6% | +22% | -20% | 6,4% |
| Anota AI | Cardápio próprio | 1,92% | 17,8% | +6% | +40% | 7,0% |
| 99Food | Marketplace | 1,34% | 2,2% | ≈ média | -6% | 11,2% |
| Cardápio Web | Cardápio próprio | 0,83% | 10,3% | +12% | +30% | 19,3% |
| Brendi | Hub de pedidos | 0,49% | 11,9% | ≈ média | +27% | 19,1% |
| Aiqfome | Marketplace | 0,27% | 2,2% | +9% | -15% | 2,0% |
| Open Delivery | Hub de pedidos | 0,23% | 5,9% | +19% | -4% | 12,8% |
| InstaDelivery | Cardápio próprio | 0,16% | 8,6% | +20% | +6% | 15,8% |
Dois Brasis: a capital do aplicativo, o interior do balcão
Aqui está a virada da edição. Capital e interior cobram praticamente o mesmo preço pela corrida (R$ 8,77 e R$ 8,74) — mas o pedido chega por caminhos opostos. Na capital, o marketplace responde por 72,4% dos pedidos: 2,0× o peso que ele tem no país. No interior, quem manda é o pedido direto, com 59,4%. O mesmo serviço, o mesmo preço, duas economias diferentes.
O segundo número é quanto aquele canal pesa ali em relação ao país (1,0× = igual à média nacional).
O segundo número é quanto aquele canal pesa ali em relação ao país (1,0× = igual à média nacional).
O que está sendo entregue
Entrega rápida não é só comida — mas comida é a maior parte. A partir do que é possível identificar em cada pedido, 52,5% das entregas de agosto foram de alimentação preparada. Depois dela vêm documentos, farmácia e encomendas. Em cerca de um terço dos pedidos não há informação suficiente para dizer o tipo de comércio — e, como se vê adiante, esse grupo tem cara própria.
| Tipo de entrega | Fatia | Preço típico | vs. país | Distância | vs. país | Entrega | Hora de pico |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Alimentação preparada | 52,48% | R$ 8,69 | ≈ média | 2,54 km | -3% | 10,1 min | 19h |
| Sem tipo identificado | 33,50% | R$ 8,73 | ≈ média | 2,69 km | ≈ média | 11,6 min | 20h |
| Documentos | 6,06% | R$ 8,90 | ≈ média | 3,20 km | +22% | 15,5 min | 20h |
| Farmácia e saúde | 2,78% | R$ 7,53 | -14% | 1,89 km | -28% | 9,5 min | 18h |
| Encomendas e e-commerce | 2,38% | R$ 8,83 | ≈ média | 3,50 km | +33% | 12,0 min | 15h |
| Bebidas e conveniência | 1,98% | R$ 10,64 | +22% | 2,98 km | +13% | 8,6 min | 19h |
| Varejo e moda | 0,79% | R$ 9,55 | +9% | 3,06 km | +16% | 11,5 min | 10h |
Cada tipo de entrega tem o seu horário
É aqui que a diferença entre os ramos fica evidente. O varejo é um negócio de manhã e de tarde: pico às 10h, e praticamente nada depois das 18h. A farmácia é o oposto de um pico — ela é uma linha quase reta das 8h às 19h, porque remédio se pede a qualquer hora. As encomendas seguem o horário comercial, com pico às 15h. E a alimentação tem os dois picos clássicos, almoço e jantar, com o jantar mandando.
Quem traz o quê
Os canais não são intercambiáveis: cada um carrega um tipo de comércio. O marketplace é quase monotemático — 93,8% do que ele traz é comida. Já o pedido direto é o canal diverso do país: é por ele que passam documentos, farmácia e encomendas, categorias que praticamente não existem nos aplicativos.
O quilômetro mais caro é o primeiro
O preço por faixa de distância revela o custo de largada da última milha. Uma corrida de até 2 km custou tipicamente R$ 7,78 — cerca de R$ 7,78 por km. Já uma acima de 10 km saiu por R$ 19,69, ou aproximadamente R$ 1,41 por km. O primeiro quilômetro é mais de 5× mais caro que o décimo: é o preço fixo de tirar um entregador da base.
≈ R$ 7,78/km · 38% das corridas
≈ R$ 2,55/km · 43% das corridas
≈ R$ 1,65/km · 15% das corridas
≈ R$ 1,41/km · 5% das corridas
Quanto o frete pesa no que está sendo entregue
Uma entrega de R$ 8,74 é cara ou barata? Depende do que vai dentro da sacola. Nos pedidos em que o valor da compra é informado, a mercadoria típica transportada valia R$ 53,92 — e o frete representou 18% desse valor. Metade das compras ficou entre R$ 32,50 e R$ 93,74.
O valor da compra é informado em parte dos pedidos, e varia por ramo — por isso comparamos o peso do frete, que é uma proporção dentro do mesmo pedido, e não o valor absoluto da sacola entre categorias diferentes.
O mapa do canal: cinco Brasis
Este mês o mapa não é de preço — é de quem controla a demanda. Quanto mais escuro, mais o pedido nasce direto na operação, sem intermediário. O Norte é o extremo: 91,6% dos pedidos entram direto (1,7× o peso do país) e o marketplace é praticamente ausente. O Nordeste é o oposto — a única região do Brasil onde o marketplace domina, com 52,5%.
| Macrorregião | Pedido direto | Marketplace | O mercado é |
|---|---|---|---|
| Sudeste | 52,6% | 42,6% | concentrado |
| Sul | 63,3% | 27,7% | concentrado |
| Nordeste | 32,7% | 52,5% | disputado |
| Centro-Oeste | 68,3% | 25,3% | concentrado |
| Norte | 91,6% | 2,2% | praticamente sem concorrência |
O que cada região tem a mais que o país
Comparar a composição de cada região com a do Brasil revela especializações que a média nacional apaga. Um valor de 2,0× significa que aquele canal ou tipo de entrega pesa o dobro ali do que pesa no país.
A região mais equilibrada entre balcão e aplicativo — e a única em que bebidas viram um mercado próprio, com peso duas vezes o nacional, empurrado pelo Zé Delivery.
O território do software de gestão: ele pesa o dobro do país, puxado pelo Saipos, que sozinho responde por 13% dos pedidos da região. É também onde a corrida é a mais cara do Brasil e onde o varejo (roupa, presente, loja) pesa mais de três vezes a média.
A exceção do país: é a única região em que o pedido de aplicativo supera o pedido de balcão. E é também onde o sistema de gestão do comércio pesa mais — quase o triplo da média nacional. Um mercado de comércio informatizado e plataformizado ao mesmo tempo.
Farmácia e documentos são a marca da região: pesam 2,2× e 1,6× o país. É o retrato de uma operação de entrega que serve o comércio de rua e os escritórios, não só o restaurante.
O mercado menos intermediado do Brasil: 9 em cada 10 pedidos entram direto, e o marketplace é residual. É também onde a corrida é a mais barata e a mais rápida do país.
Os multiplicadores comparam a composição de cada região com a do país (1,0× = igual à média nacional). Não medem tamanho de mercado nem volume de pedidos.
Retrato estado a estado
Dentro de cada região as diferenças persistem. Santa Catarina teve a corrida mais cara do país (R$ 12,84, 1,5× o valor típico nacional) e também o maior ganho por corrida para o entregador. Minas Gerais puxa para baixo com R$ 7,31 — mas é onde a corrida é a mais curta (1,80 km), o que faz do seu R$/km um dos mais altos. Rondônia tem a corrida mais barata e a mais rápida entre os estados publicados.
| UF | Região | Preço típico | vs. país | R$/km | Ganho entreg. | Distância | Entrega |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| SP | Sudeste | R$ 9,35 | +7% | R$ 3,05 | R$ 7,97 | 3,12 km | 11,3 min |
| RJ | Sudeste | R$ 8,87 | ≈ média | R$ 3,61 | R$ 7,57 | 2,53 km | 9,8 min |
| MG | Sudeste | R$ 7,31 | -16% | R$ 3,92 | R$ 6,22 | 1,80 km | 10,7 min |
| ES | Sudeste | R$ 8,67 | ≈ média | R$ 4,39 | R$ 7,58 | 2,02 km | 6,6 min |
| SC | Sul | R$ 12,84 | +47% | R$ 3,75 | R$ 9,94 | 3,66 km | 11,7 min |
| RS | Sul | R$ 9,91 | +13% | R$ 3,77 | R$ 8,03 | 2,38 km | 9,7 min |
| PR | Sul | R$ 9,23 | +6% | R$ 3,40 | R$ 6,78 | 2,65 km | 11,7 min |
| PB | Nordeste | R$ 11,51 | +32% | R$ 2,38 | R$ 8,95 | 4,75 km | 28,9 min |
| PE | Nordeste | R$ 9,18 | +5% | R$ 2,93 | R$ 7,74 | 3,31 km | 14,9 min |
| BA | Nordeste | R$ 8,44 | -3% | R$ 3,36 | R$ 6,74 | 2,53 km | 10,4 min |
| CE | Nordeste | R$ 8,36 | -4% | R$ 3,40 | R$ 7,43 | 2,34 km | 12,5 min |
| AL | Nordeste | R$ 8,07 | -8% | R$ 2,62 | R$ 6,74 | 3,18 km | 13,9 min |
| MT | Centro-Oeste | R$ 8,73 | ≈ média | R$ 2,90 | R$ 7,25 | 2,84 km | 16,2 min |
| GO | Centro-Oeste | R$ 7,85 | -10% | R$ 3,49 | R$ 6,70 | 2,01 km | 7,8 min |
| MS | Centro-Oeste | R$ 7,35 | -16% | R$ 3,69 | R$ 6,58 | 2,01 km | 6,1 min |
| PA | Norte | R$ 10,83 | +24% | R$ 3,83 | R$ 9,06 | 2,74 km | 10,1 min |
| RO | Norte | R$ 6,83 | -22% | R$ 3,05 | R$ 6,62 | 2,19 km | 6,9 min |
Valores típicos de agosto de 2026. A granularidade geográfica máxima publicada é o estado.
O dia de trabalho de quem entrega
Todo mês este boletim publica quanto rende uma corrida. Mas ninguém vive de uma corrida — vive de um dia. Esta é a primeira vez que medimos o dia inteiro: no dia em que trabalhou, o entregador típico fez 7,3 entregas ao longo de 5,4 horas e levou para casa R$ 57,85 — cerca de R$ 16,30 por hora rodada.
metade fez entre 3,5 e 13,5
da primeira à última entrega
metade entre R$ 26,24 e R$ 109,27
as 10% melhores passaram de R$ 33,73/h
A distância entre o dia fraco e o dia cheio
A dispersão é enorme, e é ela que define o negócio: o dia do quarto inferior rende R$ 26,24; o do quarto superior, R$ 109,27 — mais de 4×. E os 10% de dias mais cheios passaram de R$ 177,78, com mais de 22 entregas.
| Tipo de dia | Entregas | Jornada | Ganho no dia | Por hora |
|---|---|---|---|---|
| Dia fraco 1 em cada 4 dias fica abaixo disso |
3,5 | 2,9 h | R$ 26,24 | R$ 9,94/h |
| Dia típico o dia do meio do mercado |
7,3 | 5,4 h | R$ 57,85 | R$ 16,30/h |
| Dia cheio 1 em cada 4 dias fica acima disso |
13,5 | 9,3 h | R$ 109,27 | R$ 24,17/h |
| Dia excepcional só 1 em cada 10 dias chega lá |
21,7 | 12,3 h | R$ 177,78 | R$ 33,73/h |
A jornada considera o intervalo entre a primeira e a última entrega concluída no dia — é o tempo em que o entregador esteve efetivamente rodando, e não inclui a espera antes do primeiro pedido.
Para onde vai o valor de cada corrida
De cada corrida paga, a maior parte vai direto para o entregador. No caso típico, ele fica com cerca de 84% do valor — R$ 7,33 de uma corrida típica de R$ 8,74; os outros 16% ficam com a empresa de entregas que organiza a operação.
Como a entrega é cobrada do comércio
Não confunda com o consumidor pagando a compra na porta: o que se mede aqui é o acerto entre a empresa de entregas e o comércio que a contratou. E ele é quase todo a prazo — 67,0% das entregas são faturadas, fechadas depois, e outros 26,5% saem de uma carteira pré-paga que o lojista abastece. Cobrança na hora, em dinheiro ou cartão, é minoria absoluta.
Quando o Brasil pede
A demanda se concentra à noite. A hora de pico — 20h — concentra 11,3% dos pedidos do dia, quase o triplo da hora média. Há um segundo repique no almoço (11h–13h), menor que o do jantar. O mapa de calor abaixo cruza dia × hora: o ponto mais quente do mês foi o sábado à noite (20h).
O mapa de calor da semana
| 00 | 01 | 02 | 03 | 04 | 05 | 06 | 07 | 08 | 09 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Dom | ||||||||||||||||||||||||
| Seg | ||||||||||||||||||||||||
| Ter | ||||||||||||||||||||||||
| Qua | ||||||||||||||||||||||||
| Qui | ||||||||||||||||||||||||
| Sex | ||||||||||||||||||||||||
| Sáb |
Quanto mais escuro, maior a fatia do movimento do mês naquela combinação de dia e hora.
O ritmo da semana, corrigido pelo calendário
Agosto de 2026 começou num sábado e teve cinco sábados, cinco domingos e cinco segundas, mas só quatro sextas. Comparar a fatia bruta de cada dia faria o domingo parecer mais forte que a sexta só por ter aparecido uma vez a mais. Corrigido pelo número de vezes que cada dia caiu no mês, o ranking real é este — e mostra sexta e sábado praticamente empatados no topo, com a segunda-feira bem atrás.
Movimento de cada dia da semana comparado a um dia comum (100 = dia médio do mês).
O mês dia a dia — e o Dia dos Pais que não veio
O calendário de agosto é o metrônomo puro da semana: cinco vales, todos às segundas-feiras (dias 3, 10, 17, 24 e 31), e picos nas sextas e sábados. O dado que surpreende é o Dia dos Pais (domingo, 9): índice 102,9 — praticamente um domingo qualquer, e abaixo do último domingo do mês (dia 30, índice 114,2). Ao contrário do Dia das Mães, que move a operação, o Dia dos Pais passou quase em branco para a entrega rápida.
Onde o entregador realmente fatura
Existe um mito de “hora de ouro”: madrugada e início da manhã pagam mais por corrida. É verdade — mas não adianta uma corrida render mais às 10h se o volume ali é uma fração do da noite. O que enche o bolso é onde ganho por corrida e volume de pedidos se encontram.
A anatomia de uma entrega de 11 minutos
A entrega típica levou 10,7 minutos da coleta ao destino, percorrendo 2,63 km a uma velocidade média de 14,2 km/h (trânsito urbano, com paradas). O aceite é quase instantâneo — 1,9 min entre o pedido entrar e um entregador assumir. Há sempre uma cauda longa: as 10% mais demoradas passaram de 36 min.
Como a rota é montada
Das corridas do mês, 90,9% chegaram ao destino. Distância típica: 2,63 km; 9 em cada 10 entregas até 7,11 km.
Por que as entregas falham
Toda operação de entrega sabe quantos pedidos deram errado. Quase nenhuma sabe o quê deu errado. É uma lacuna de registro, não de operação: os motivos de cancelamento que os sistemas oferecem foram desenhados para a loja e para o cliente — problema no estabelecimento, cliente desistiu —, e param exatamente onde a entrega começa. O que acontece entre a calçada da loja e a porta do destinatário sai do registro como “cancelado”, e mais nada. Esta edição mede essa lacuna: 88,7% dos cancelamentos de agosto dizem apenas quem apertou o botão, nunca o que houve.
registram só quem cancelou
6,75% do total
contra 1,2 min quando a entrega acontece
sem CEP, 2,1×
Onde o pedido morre
Um pedido cancelado não é um evento só. Ele pode morrer na fila, antes de qualquer entregador tocar nele; a caminho da coleta; na porta da loja, com o entregador parado esperando; ou na rua, com a mercadoria já na mochila. São quatro problemas diferentes, com quatro culpados diferentes — e hoje os quatro recebem a mesma palavra.
o pedido morreu na fila, sem entregador
aceitou e ainda não tinha chegado na loja
coletada, com o entregador
chegou para coletar e o pedido não saiu
O motivo que ninguém registra
Ordenados por frequência, os motivos que os sistemas de entrega gravam hoje respondem a uma pergunta só: quem cancelou. “Cancelado pelo cliente” e “cancelado pela integração” não são causas — são remetentes. Somados ao que não tem motivo nenhum, eles cobrem quase nove de cada dez cancelamentos.
| Motivo registrado | Dos cancelamentos | Diz o que aconteceu? | Onde acontece |
|---|---|---|---|
| Nenhum motivo registrado | 36,45% | só quem | quase tudo na fila |
| Cancelado pelo cliente | 27,18% | só quem | quase tudo na fila |
| Cancelado pela integração | 21,36% | só quem | quase tudo na fila |
| Nenhum entregador aceitou | 11,20% | sim | só na fila |
| Cancelado pela central | 3,69% | só quem | 9 em cada 10, com a mercadoria na rua |
| Problema de saldo ou pagamento | 0,12% | sim | antes de sair |
Um detalhe revelador: 9 em cada 10 cancelamentos feitos pela central acontecem com a mercadoria já na rua. Quando o problema é de rua, quem resolve não é quem está lá — é quem atende o telefone. E, nesse grupo, quase 90% dos cancelamentos saem sem qualquer explicação gravada: metade como “a central cancelou” e quase toda a outra metade sem motivo nenhum.
A entrega que chega e não acontece
Existe um desfecho que não é entrega nem cancelamento: o entregador chega ao destino e volta com a mercadoria. Ele aparece no registro de 1 a cada 1.000 entregas coletadas — e é aí que está a descoberta que explica o resto da seção: 98,7% desses pedidos são fechados como concluídos. A falha não vira cancelamento. Ela desaparece dentro de um pedido bem-sucedido.
Quase toda entrega que falha termina com a mercadoria voltando ao ponto de coleta — a operação paga a viagem inteira duas vezes. E em 2 de cada 3 casos o entregador chegou a registrar que estava no destino antes de desistir: ele foi até lá, e a entrega não aconteceu mesmo assim.
A impressão digital do “não localizado”: o tempo na porta
Comparar quanto tempo o entregador fica parado no destino quando entrega e quando desiste é a medida mais próxima que existe de uma resposta ao “o que aconteceu ali”. Quando a entrega acontece, ela é quase instantânea. Quando não acontece, o entregador toca a campainha, liga, espera — e o relógio conta seis vezes mais.
O endereço que não tem porta
A segunda hipótese — endereço incorreto ou insuficiente — se sustenta, e dá para dizer exatamente qual pedaço do endereço importa. Não é o complemento: entregas sem complemento falham na mesma proporção das que têm. É o número, e depois o CEP — os dois campos que dizem em que ponto da rua o entregador deve parar.
| Endereço | Preenchido em | Insucesso a mais | Entre as entregas que falharam |
|---|---|---|---|
| Sem número na rua | 91,9% | 2,4× | 23,6% estavam assim |
| Sem CEP | 89,8% | 2,1× | 17,4% estavam assim |
| Sem complemento | 55,4% | não muda | 43,6% estavam assim |
As duas leituras se confirmam: endereço sem número responde por 1 em cada 4 entregas que não aconteceram, contra 8 em cada 100 endereços do mês. Nome e telefone do destinatário não seguem o mesmo padrão — quem preenche esses campos é um tipo de operação diferente, e o dado, aí, fala mais sobre quem registra do que sobre a porta.
A falha é diurna — o oposto do movimento
O pico da entrega rápida é a noite: 31,0% dos pedidos do mês entram entre 19h e 21h. Mas é justamente aí que a entrega quase nunca falha — quem pediu jantar está em casa esperando. O insucesso mora no horário comercial, quando a entrega bate numa porta cujo morador está no trabalho. Às 8h da manhã, o risco é o dobro do das 20h.
A madrugada tem os maiores riscos de todos, mas sobre um movimento que mal existe: entre 0h e 6h entra menos de 1% dos pedidos do mês. É estatística de exceção, não rotina de operação.
Quanto mais longe e mais paradas, mais a entrega falha
A distância é o previsor mais limpo que os dados oferecem: passar de uma corrida de bairro para uma de mais de 10 km quadruplica o risco de a entrega não acontecer. E a rota com duas paradas é a mais frágil de todas — mais até que a de três ou mais, porque naquelas o entregador já sai sabendo que está fazendo um circuito.
100 = risco médio de insucesso do mês.
Na faixa de 5 a 10 km o cancelamento com a mercadoria na rua também dispara: mais de 3× o da corrida de bairro.
Capital e interior falham por motivos opostos
É o contraste mais forte da seção. Na capital, o pedido cancelado é quase sempre o pedido que ninguém quis: 96,5% dos cancelamentos acontecem antes de qualquer entregador aceitar, e o pedido fica pendurado duas horas e meia até alguém desistir dele. No interior o pedido morre dez vezes mais rápido — e morre na rua: a proporção de cancelamentos com a mercadoria já coletada é 1,3× a média do país, contra 0,1× na capital.
| Pedidos cancelados | 16,01% |
| Morreram na fila, sem entregador | 96,5% |
| Morreram com a mercadoria na rua | 0,89% |
| Tempo típico até o cancelamento | 2h33 |
| Espera na porta antes de desistir | 7,8 min |
| Pedidos cancelados | 5,28% |
| Morreram na fila, sem entregador | 77,5% |
| Morreram com a mercadoria na rua | 8,70% |
| Tempo típico até o cancelamento | 13 min |
| Espera na porta antes de desistir | 7,3 min |
Os multiplicadores comparam cada segmento com a média do país (1,0× = igual à média nacional). A espera na porta é praticamente idêntica nos dois: o cliente que não desce é o mesmo em qualquer lugar do Brasil.
O mapa de onde a mercadoria morre na rua
Quanto mais escuro, maior a proporção de cancelamentos que acontecem com a mercadoria já coletada — o desfecho mais caro de todos. O Nordeste é o extremo do país: mais de 1 em cada 4 cancelamentos da região acontece com o entregador já na rua. No Sudeste, o padrão é o oposto: cancela-se mais, mas cedo, antes de a mercadoria sair.
| Macrorregião | Cancelados | Morre na rua |
|---|---|---|
| Nordeste | 5,35% | 27,2% 4,0× |
| Centro-Oeste | 2,73% | 7,3% 1,1× |
| Sul | 5,00% | 5,0% 0,7× |
| Sudeste | 8,46% | 3,2% 0,5× |
| Norte | 3,95% | 2,7% 0,4× |
“Morre com a mercadoria na rua” é a fatia dos cancelamentos da região que acontecem depois da coleta, e o multiplicador ao lado compara a região com o país (1,0× = igual à média nacional).
A entrega que nem chegou a começar
Antes de qualquer problema de rua existe um problema anterior: 0,71% dos pedidos do mês simplesmente não encontraram entregador — 1 em cada 9 cancelamentos. E o dado que surpreende é que 8 em cada 10 desses pedidos nunca chegaram à tela de ninguém: não houve recusa, houve ausência. Quando o pedido chegou a ser oferecido, ele passou por 9 entregadores em média, e 3 em cada 10 ofertas foram recusadas.
O que falta poder registrar
Juntando as evidências, é possível montar a lista que os cadastros de motivo ainda não têm — cada linha com o número que a sustenta. Nenhuma delas é opinião: são os desfechos que a operação brasileira produziu em agosto e não teve onde nomear.
Onde a entrega falha, o entregador esperou 7,3 min na porta antes de desistir — seis vezes o tempo de quem entrega. E falha mais de dia, quando não há ninguém em casa.
Endereço sem número falha 2,4× mais; sem CEP, 2,1×. Entre as entregas que não aconteceram, 1 em cada 4 estava num endereço sem número.
Hoje é indistinguível de "não localizado": as duas terminam do mesmo jeito, com a mercadoria voltando para a loja. Só quem estava na porta sabe a diferença — e não tem onde dizer.
1 em cada 10 cancelamentos com a mercadoria já coletada é feito pelo próprio cliente, em média meia hora depois de o pedido nascer.
Acidente, pane, desistência: raro, mas quase sempre fatal — quando o pedido perde o entregador que já tinha aceitado, 8 em cada 10 terminam cancelados.
Não aparece em nenhum registro do mês. Não porque não aconteça — porque não existe onde registrar.
O entregador espera 2 min na porta da loja no caso típico, mas 1 em cada 10 coletas passa de 13 min. E 1,9% dos cancelamentos acontecem com ele parado ali.
Como lemos: “risco de insucesso” compara a chance de uma entrega coletada não ser concluída com a média do mês (100 = risco médio). “Morre na rua” é a fatia dos cancelamentos que acontece depois da coleta. Tempos são o valor típico — metade dos casos ficou abaixo, metade acima. Os motivos de cancelamento são os registrados pelos próprios sistemas das operações, agregados e anonimizados.
A entrega rápida anda sobre duas rodas
A moto é o motor da última milha brasileira: 96,6% das entregas concluídas em agosto. A bicicleta responde por 3,24% — modesta, mas é o termômetro da mobilidade ativa. Carro e utilitários somados não chegam a 0,2%.
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Metodologia
Dados agregados e anonimizados a partir das operações de empresas de entregas rápidas de todo o Brasil. Esta edição consolida centenas de milhares de entregas realizadas em agosto de 2026.
Trabalhamos com o valor típico de cada indicador — aquele que fica no meio do mercado, com metade das corridas abaixo e metade acima. É mais justo que a “média”, porque não se distorce por alguns valores muito altos ou baixos. As comparações por região usam o valor típico do país como referência (100): um índice 120 significa 20% acima da média nacional; 85, 15% abaixo. Quando comparamos a composição de uma região com a do país (por exemplo, quanto o marketplace pesa ali), o resultado aparece como multiplicador: 1,4× quer dizer 40% mais presente que a média nacional.
A origem de cada pedido vem do sistema por onde ele entrou na operação. O tipo de comércio é identificado a partir do que cada operação registra no pedido e do canal por onde ele chegou. A jornada do entregador considera o intervalo entre a primeira e a última entrega concluída no dia. O peso do frete sobre a mercadoria é calculado nos pedidos em que o valor da compra é informado.
Os indicadores descrevem o comportamento do mercado, nunca operações ou clientes individuais. A granularidade geográfica máxima é a macrorregião e o estado — nunca cidade ou empresa específica. Período de referência: 1 a 31 de agosto de 2026.