O jogo de segunda à tarde dividiu o país em dois
Dados anonimizados de mais de 50 milhões de entregas processadas pelo Entregas Expressas.
Brasil 2 x 1 Japão, numa segunda-feira às 14h — o horário mais atípico da Copa. O país parou no meio da tarde (a demanda por entregas caiu 28% durante a partida) e, com o apito emendando direto no jantar, a fome voltou com tudo: 18h foi o pico do dia (+37%). No saldo, um dia acima do normal (+6,7%) — mas com uma divisão inédita: nas capitais foi um dia de queda, enquanto o interior fechou em alta.
Leitura hora a hora do dia do jogo, comparada à média das segundas-feiras anteriores (100 = uma segunda comum).
Um jogo de tarde muda o dia inteiro — não só a hora da bola
Cada partida do Brasil remexe o relógio do delivery de um jeito. Este foi o extremo: numa segunda útil, com a bola rolando às 14h, o país tratou a tarde como feriado. A demanda vinha cheia de manhã, despencou durante o jogo e, quando a partida acabou às 16h, a onda represada emendou direto no jantar. Resultado: ao contrário dos jogos noturnos, aqui o dia inteiro fechou acima do normal.
a segunda de manhã veio cheia
o vale: a tarde parou
a onda emendou no jantar
saldo positivo, raro num jogo
A curva da segunda: o mergulho da tarde e a explosão do jantar
Cada barra é o quanto aquela hora ficou acima ou abaixo de uma segunda normal. A manhã e o começo da tarde vinham cheios (12h e 13h a +20%, todo mundo abastecendo antes da bola). Quando o jogo começou às 14h a demanda virou para baixo e chegou ao fundo às 15h (−38%). Passado o apito, a curva dispara: 18h foi o pico do dia (+37%) e a noite inteira ficou acima do normal. A tarde parada foi mais do que compensada pela onda do jantar.
A madrugada (0h–7h) tem volume ínfimo e oscila demais para entrar na leitura — por isso o gráfico começa às 8h. A bola rolou às 14h e o apito final saiu por volta das 16h (90 minutos + intervalo + acréscimos).
O jogo que deu dias opostos para capital e interior
Esta é a leitura mais reveladora de toda a Copa até aqui. Num jogo de segunda à tarde, as capitais — onde o delivery vive do almoço e da tarde comercial — pararam de vez: a demanda caiu −55,4% durante a partida e nem à noite se recuperou (−17,7% após o apito). No total do dia, a capital fechou −23,6% abaixo de uma segunda normal — um dia de queda. Já o interior, mais movido pela noite, teve um vale mais raso (−27,1%) e uma onda positiva depois do jogo (+8,3%), fechando o dia em alta (+8,6%). O mesmo jogo, dois países.
Como ficou a corrida típica em cada um
Valores típicos do dia do jogo (o ponto em que metade das corridas fica abaixo e metade acima).
| Indicador | Capital | Interior |
|---|---|---|
| Preço típico da corrida | R$ 10,40 | R$ 8,74 |
| Ganho típico do entregador | R$ 8,14 | R$ 7,34 |
| Tempo típico de entrega | 18,1 min | 11,3 min |
| Tempo típico de aceite | 8,21 min | 1,85 min |
Com a tarde comercial parada, as poucas corridas que rodaram na capital foram as mais longas e caras do dia (R$ 10,40 contra R$ 8,74 do interior), e levaram bem mais para sair — 18,1 min de entrega típica na capital contra 11,3 no interior. O tempo de aceite conta a mesma história: mais de 8 minutos na capital, menos de 2 no interior.
A onda do jantar apertou o ganho do entregador
Com toda a demanda represada estourando no início da noite, a oferta de entregadores ficou disputada nas horas do jantar — e quem entregou levou um pouco mais. O ganho típico do entregador subiu 2,1% e o preço da corrida, 1%, em relação a uma segunda normal. O ganho mexeu mais que o preço: sinal de que a tarifa dinâmica premiou quem estava na rua na hora do pico.
A corrida típica do dia teve 2,60 km e foi entregue em cerca de 11,5 min — operação de bairro, tocada quase toda por moto (96% das entregas; a bicicleta fez 3,4%). De cada corrida, 84% ficaram com o entregador. Praticamente sem chuva no país (1,4% das corridas), então o aperto da oferta veio da própria onda do jantar, não do tempo.
A segunda de mata-mata pelo Brasil
Índice de preço da corrida por macrorregião no dia do jogo, com 100 = valor típico do país (R$ 8,80). Sudeste e Sul acima da média; Nordeste colado nela; Norte e Centro-Oeste, com trajetos mais curtos, mantiveram as corridas mais econômicas e rápidas.
| Macrorregião | Preço típico | vs. país | Ganho entreg. | Entrega |
|---|---|---|---|---|
| Sudeste | R$ 9,47 | +8% | R$ 7,87 | 11,4 min |
| Sul | R$ 9,31 | +6% | R$ 7,50 | 10,9 min |
| Nordeste | R$ 8,90 | ≈ média | R$ 7,37 | 16,7 min |
| Norte | R$ 7,52 | -15% | R$ 7,34 | 7,1 min |
| Centro-Oeste | R$ 7,30 | -17% | R$ 6,63 | 9,7 min |
A operação mais redonda foi no Sul, com a maior taxa de entrega concluída (95,4%). No Norte, trajetos curtos renderam as entregas mais rápidas do dia (7,1 min em média).
O preço da corrida estado a estado
O valor típico da corrida por unidade da federação, ordenado do mais caro ao mais econômico, com a comparação contra o valor típico do país (100). Onde a corrida custa mais, costuma render mais ao entregador.
| Estado | Região | Preço típico | vs. país | Ganho típico |
|---|---|---|---|---|
| SC | Sul | R$ 13,29 | +51% | R$ 10,66 |
| PB | Nordeste | R$ 11,44 | +30% | R$ 8,77 |
| SP | Sudeste | R$ 10,37 | +18% | R$ 8,79 |
| RS | Sul | R$ 10,05 | +14% | R$ 8,02 |
| RN | Nordeste | R$ 9,96 | +13% | R$ 7,57 |
| PA | Norte | R$ 9,83 | +12% | R$ 8,67 |
| PE | Nordeste | R$ 9,21 | +5% | R$ 7,69 |
| CE | Nordeste | R$ 8,91 | ≈ média | R$ 7,91 |
| ES | Sudeste | R$ 8,67 | ≈ média | R$ 7,50 |
| BA | Nordeste | R$ 8,52 | -3% | R$ 7,10 |
| PR | Sul | R$ 8,45 | -4% | R$ 6,57 |
| AL | Nordeste | R$ 8,09 | -8% | R$ 6,77 |
| MS | Centro-Oeste | R$ 7,48 | -15% | R$ 6,60 |
| MT | Centro-Oeste | R$ 7,25 | -18% | R$ 6,69 |
| GO | Centro-Oeste | R$ 7,24 | -18% | R$ 6,60 |
| MG | Sudeste | R$ 7,24 | -18% | R$ 6,20 |
| RO | Norte | R$ 7,20 | -18% | R$ 7,19 |
| MA | Nordeste | R$ 5,98 | -32% | R$ 4,90 |
| SE | Nordeste | R$ 4,88 | -45% | R$ 3,88 |
Santa Catarina e Paraíba puxaram a ponta de cima (trajetos mais longos elevam a corrida típica); no outro extremo, operações bem hiperlocais — distâncias curtas, entrega quase imediata — deixam o valor da corrida mais baixo.
O mata-mata avança com o Brasil
Cada jogo da Seleção remexe o delivery de um jeito diferente. Compare as leituras e acompanhe o mata-mata: cada partida vira uma nova análise do que o jogo faz com as entregas no país.
Metodologia
Dados agregados e anonimizados a partir das operações de empresas de entregas rápidas de todo o Brasil, no dia de Brasil x Japão (29 de junho de 2026). O efeito do jogo é medido comparando cada hora do dia com a média do mesmo dia da semana (segunda-feira) nas semanas anteriores — 100 representa uma segunda normal.
Trabalhamos com o valor típico de cada indicador — o ponto em que metade das corridas fica abaixo e metade acima. As comparações por região usam o valor típico do país como referência (100). Capital reúne as capitais dos estados; interior, todo o restante.
Os indicadores descrevem o comportamento do mercado, nunca operações ou clientes individuais. A granularidade geográfica máxima é a macrorregião e o estado — nunca cidade ou empresa específica.