Sexta à noite, o Brasil jogou — e a fome virou a madrugada
Dados anonimizados de mais de 50 milhões de entregas processadas pelo Entregas Expressas.
Brasil x Haiti (sexta, 19 de junho, 21h30). Durante a partida, os pedidos de entrega caíram 12% ante uma sexta normal — e no fundo do vale, às 23h, despencaram um terço. Quando o juiz apitou, já perto da meia-noite, veio a onda: à 1h da manhã os pedidos bateram quase o triplo de uma madrugada de sexta comum.
Leitura hora a hora do dia do jogo, comparada à média das sextas-feiras anteriores (100 = uma sexta comum). Por ser um jogo noturno, a curva segue até a madrugada de sábado.
O jogo não tira a fome — ele empurra para depois da meia-noite
Num jogo noturno, o efeito é o oposto do de um feriado: a partida não muda o tamanho do dia, muda a hora dele. A noite começou aquecida (todo mundo abasteceu cedo, antes da bola rolar), a demanda colapsou durante a partida e só voltou — em forma de onda — quando o jogo acabou, já na madrugada. No saldo do dia, ficou praticamente igual a uma sexta comum.
o esquenta: a noite se antecipa
o vale: o país está assistindo
a onda represada da madrugada
saldo de uma sexta comum
A curva da noite: esquenta, vale e a onda da madrugada
A linha mostra o quanto cada hora ficou acima ou abaixo de uma sexta normal (a tracejada em 100). A noite sobe conforme o jogo se aproxima — o pico de antecipação foi às 17h (+11%), todo mundo pedindo o jantar antes da bola rolar. No apito inicial, a queda; às 23h, o fundo. E então, virada a meia-noite, a onda: à 1h os pedidos saltaram para quase três vezes uma madrugada de sexta comum.
A onda é real — mas a madrugada é pequena
Quase o triplo de uma madrugada normal impressiona, mas é preciso enxergar o tamanho de cada hora. A madrugada movimenta uma fração mínima do dia: o pico do salto cai justamente nas horas mais vazias do relógio. Por isso a janela inteira depois do apito ainda ficou 16% abaixo de uma sexta comum, mesmo com a onda dentro dela.
Fatia de cada hora no total de pedidos do dia. Da meia-noite em diante, cada hora carrega menos de 1% do movimento.
Capital e interior viram o jogo em horários opostos
Aqui está a leitura mais surpreendente da noite — e é o inverso do que costuma acontecer. Na capital, a galera continuou pedindo durante a partida (a demanda ficou praticamente igual a uma sexta normal, −0,7%) e só esvaziou depois do apito, já na madrugada — quando despencou −62%. No interior, foi ao contrário: a partida esvaziou as ruas (−13% durante) e o movimento se recompôs melhor na sequência (−7,5%). No fim, a capital fechou o dia abaixo de uma sexta comum (−8,8%); o interior, acima (+1,4%).
Como ficou a corrida típica em cada um
Valores típicos do dia do jogo (o ponto em que metade das corridas fica abaixo e metade acima).
| Indicador | Capital | Interior |
|---|---|---|
| Preço típico da corrida | R$ 8,66 | R$ 8,92 |
| Ganho típico do entregador | R$ 7,42 | R$ 7,44 |
| Tempo típico de entrega | 16,5 min | 12,3 min |
| Tempo típico de aceite | 13,12 min | 1,81 min |
No dia do jogo, a corrida típica de capital saiu até um pouco mais barata que a do interior, mas demorou bem mais para ser aceita (mais de 13 minutos, contra menos de 2 no interior) e para chegar — o retrato de mercados mais densos e disputados, onde sobra pedido e falta entregador nos horários de pico.
O jogo mexeu no relógio, não no preço
Apesar da montanha-russa de demanda, o valor da corrida quase não se moveu: o preço típico e o ganho do entregador ficaram praticamente iguais aos de uma sexta normal. Repare, porém, num detalhe: o ganho do entregador subiu um pouquinho mais que o preço da corrida. É a digital da onda — quando todo mundo pede ao mesmo tempo depois do apito, a oferta de entregadores aperta e a tarifa dinâmica entra em ação, puxando o repasse para cima na ponta.
A corrida típica do dia teve 2,66 km e foi entregue em cerca de 12,5 min — operação de bairro, tocada quase toda por moto (96% das entregas). De cada corrida, cerca de 85% ficaram com o entregador.
Por que a corrida curta parece cara
Toda entrega carrega um custo de largada: há um valor mínimo para o entregador sair, e ele pesa muito mais nas corridas curtas. Por isso o preço por quilômetro despenca conforme a distância cresce — a corrida de 10 km ou mais não custa cinco vezes a de 2 km, ainda que percorra cinco vezes a distância. E é a corrida curta que domina o dia: a maioria das entregas fica abaixo de 5 km.
| Distância da corrida | Preço típico | Fatia das corridas | |
|---|---|---|---|
| 0–2 km | R$ 7,73 | 37,0% |
|
| 2–5 km | R$ 9,09 | 42,9% |
|
| 5–10 km | R$ 13,02 | 15,5% |
|
| 10 km+ | R$ 21,79 | 4,6% |
|
Oito em cada dez corridas do dia ficaram dentro de 5 km. A corrida típica do país custou R$ 8,90; quem precisou cruzar a cidade (10 km+) pagou cerca de duas vezes e meia isso — mas pagou bem menos por quilômetro rodado.
A noite de jogo pelo Brasil
Índice de preço da corrida por macrorregião no dia do jogo, com 100 = valor típico do país (R$ 8,90). Sul e Sudeste acima da média; Nordeste colado nela; Norte e Centro-Oeste, com trajetos mais curtos, mantiveram as corridas mais econômicas — e também as mais rápidas do país.
| Macrorregião | Preço típico | vs. país | Ganho entreg. | Entrega |
|---|---|---|---|---|
| Sul | R$ 9,44 | +6% | R$ 6,92 | 13,6 min |
| Sudeste | R$ 9,30 | +4% | R$ 7,84 | 12,5 min |
| Nordeste | R$ 8,87 | ≈ média | R$ 7,45 | 15,9 min |
| Norte | R$ 7,67 | -14% | R$ 7,48 | 6,8 min |
| Centro-Oeste | R$ 7,44 | -16% | R$ 6,69 | 8,9 min |
A operação mais redonda foi no Sul, com a maior taxa de entrega concluída (94,0%). No Norte, trajetos curtos renderam as entregas mais rápidas do dia (6,8 min em média).
O preço típico, estado a estado
Valor típico da corrida em cada estado no dia do jogo, do mais caro ao mais econômico, com o índice ante o valor típico do país (100).
| Estado | Preço típico | vs. país | R$/km | Ganho entreg. | Entrega |
|---|---|---|---|---|---|
| SC | R$ 14,38 | +62% | R$ 3,48 | R$ 10,86 | 14,2 min |
| PB | R$ 12,11 | +36% | R$ 2,66 | R$ 9,27 | 30,3 min |
| RJ | R$ 11,19 | +26% | R$ 3,24 | R$ 5,16 | 17,2 min |
| RS | R$ 10,56 | +19% | R$ 4,18 | R$ 8,72 | 10,3 min |
| SP | R$ 9,76 | +10% | R$ 3,27 | R$ 8,29 | 12,9 min |
| PE | R$ 9,74 | +9% | R$ 3,16 | R$ 8,07 | 19,6 min |
| RN | R$ 9,60 | +8% | R$ 4,17 | R$ 7,64 | 16,0 min |
| PR | R$ 8,79 | ≈ média | R$ 3,14 | R$ 6,54 | 14,9 min |
| ES | R$ 8,59 | -3% | R$ 4,53 | R$ 7,50 | 7,3 min |
| MT | R$ 8,46 | -5% | R$ 2,84 | R$ 6,93 | 16,1 min |
| PA | R$ 8,41 | -6% | R$ 3,98 | R$ 6,90 | 8,8 min |
| BA | R$ 8,26 | -7% | R$ 3,38 | R$ 6,83 | 13,1 min |
| MG | R$ 7,62 | -14% | R$ 3,97 | R$ 6,42 | 11,6 min |
| RO | R$ 7,56 | -15% | R$ 3,73 | R$ 7,54 | 6,1 min |
| MS | R$ 7,39 | -17% | R$ 3,71 | R$ 6,62 | 7,5 min |
| CE | R$ 7,33 | -18% | R$ 3,03 | R$ 7,13 | 14,4 min |
| GO | R$ 7,09 | -20% | R$ 3,51 | R$ 6,59 | 7,0 min |
| MA | R$ 5,83 | -34% | R$ 2,75 | R$ 4,71 | 6,8 min |
| SE | R$ 4,94 | -44% | R$ 4,13 | R$ 3,94 | 1,9 min |
As diferenças entre estados refletem a mistura local de distâncias, densidade e tipo de operação — não o tamanho do mercado. Onde os trajetos são mais longos, a corrida típica e o R$/km sobem; onde a cidade é compacta, a entrega é rápida e barata.
O Brasil volta a campo
A cada jogo da Seleção, uma nova leitura do que a partida faz com as entregas no país. Acompanhe o especial completo.
Metodologia
Dados agregados e anonimizados a partir das operações de empresas de entregas rápidas de todo o Brasil, no dia de Brasil x Haiti (19 de junho de 2026). O efeito do jogo é medido comparando cada hora do dia com a média do mesmo dia da semana (sexta-feira) nas semanas anteriores — 100 representa uma sexta normal. Como a partida foi à noite (21h30), a curva e a janela depois do apito seguem até a madrugada de sábado.
Trabalhamos com o valor típico de cada indicador — o ponto em que metade das corridas fica abaixo e metade acima. As comparações por região usam o valor típico do país como referência (100). Capital reúne as capitais dos estados; interior, todo o restante.
Os indicadores descrevem o comportamento do mercado, nunca operações ou clientes individuais. A granularidade geográfica máxima é a macrorregião e o estado — nunca cidade ou empresa específica.